Sobreviventes de ataque de tubarão em PE relatam sequelas e pedem ações
Sobreviventes de ataque de tubarão em PE relatam sequelas

Sobreviventes de ataques de tubarão ocorridos na década de 1990, em Pernambuco, compartilham as dificuldades enfrentadas após os incidentes e pedem ações para evitar novas ocorrências. O estado registra 84 casos desde 1992, incluindo a morte de um adolescente de 13 anos em janeiro e duas vítimas recentes: um menino de 11 anos e uma jovem de 19 anos, que perderam uma perna.

Charles Heitor: duas mãos amputadas

Charles Heitor foi mordido em 1999 enquanto surfava na praia de Boa Viagem, no Recife. Na época com 21 anos, ele teve as duas mãos amputadas. "No dia 1º de maio, num feriado, eu estava surfando. Sentei na prancha para esperar a próxima onda e senti o impacto do tubarão. Em segundos, ele pegou minha perna, me arrastou pela superfície e começou a me jogar de um lado para o outro. Foi quando arrancou minhas duas mãos", relembra.

Quatro dias após o ataque, o governo estadual proibiu esportes náuticos em 30 quilômetros da região. Porém, a recuperação de Charles foi uma longa batalha. Sem as mãos, ele precisou reaprender atividades básicas e enfrentou anos de adaptação. As próteses só chegaram mais de uma década depois, após uma disputa judicial. Em 2011, a Justiça determinou que o estado custeasse próteses biônicas, importadas da Escócia e feitas de fibra de carbono revestida de silicone, no valor de R$ 654 mil. Elas foram entregues em abril de 2012. Charles, hoje com 48 anos e bacharel em Direito, fundou a Associação de Vítimas de Tubarão (Avituba) em 2021, mas a iniciativa não prosseguiu por falta de apoio.

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Charles Veras: perna mutilada

Em janeiro de 1993, aos 14 anos, Charles Roberto Soares Veras surfava na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, quando um tubarão cabeça-chata arrancou parte de sua perna esquerda. "Vi a onda vindo, surfo de bodyboard, e quando virei para remar, senti uma fisgada forte na perna. Meu primo me tirou da água e iniciou os primeiros socorros", recorda. A recuperação exigiu tratamento médico, fisioterapia e adaptação contínua. Hoje com 47 anos, ele trabalha como representante comercial e carrega as marcas do episódio. "Aprendi a viver com o problema, como um guerreiro. A vida segue", afirma.

Novos casos reacendem debate

Os incidentes recentes, com intervalo de 24 horas, mostram que o tema continua urgente. No domingo (31), um menino de 11 anos foi mordido em Piedade; na segunda (1º), uma jovem de 19 anos em Boa Viagem. Ambos perderam uma perna. Esses casos fizeram os sobreviventes reviverem lembranças difíceis. Charles Heitor sugere alertas por celular em épocas de risco. Charles Veras critica a paralisação do monitoramento: "Anos sem pesquisa. Acham que o problema acabou, mas o tubarão continua lá".

Retomada do monitoramento

Após 11 anos paralisado, o monitoramento de tubarões com microchips será retomado no litoral pernambucano. Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foram selecionados para rastrear 60 tubarões. O investimento é de R$ 1,052 milhão para dois anos, valor inferior aos R$ 1 milhão anuais investidos na década passada.

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