O desmatamento na Amazônia registrou queda de 37,5% entre agosto de 2025 e maio de 2026, alcançando o menor índice desde 2016, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No Cerrado, no entanto, a redução foi bem mais modesta: apenas 8,2% no mesmo período. Especialistas apontam que a diferença se deve a fatores como um código florestal mais flexível no Cerrado e a predominância de terras privadas, o que dificulta o combate à ilegalidade.
Por que o Cerrado desmata menos?
O Código Florestal brasileiro é menos restritivo para o Cerrado do que para a Amazônia. Enquanto na Amazônia a reserva legal é de 80% da propriedade, no Cerrado esse percentual cai para 20% a 35%, dependendo da região. Isso significa que uma parcela maior da vegetação nativa pode ser legalmente suprimida para atividades como agricultura e pecuária.
Além disso, o Cerrado é composto majoritariamente por terras privadas, ao contrário da Amazônia, onde há grandes áreas de conservação e terras indígenas. Essa característica torna a fiscalização e o combate ao desmatamento ilegal mais complexos, exigindo maior envolvimento dos estados e municípios.
Expansão agrícola e desafios
A expansão da fronteira agrícola, especialmente para o cultivo de soja, é um dos principais vetores do desmatamento no Cerrado. A região é responsável por cerca de 60% da produção nacional de grãos, e a demanda global por commodities pressiona a abertura de novas áreas.
Especialistas destacam que, embora a queda no desmatamento seja positiva, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a conservação do bioma. Eles defendem a necessidade de políticas mais integradas entre União, estados e municípios, além de incentivos para práticas sustentáveis.
Comparação com a Amazônia
Na Amazônia, a redução de 37,5% no desmatamento é atribuída a ações de comando e controle mais efetivas, monitoramento por satélite e fortalecimento de órgãos ambientais. A criação de novas unidades de conservação e a demarcação de terras indígenas também contribuíram para o resultado.
No Cerrado, por outro lado, a ausência de um plano específico de combate ao desmatamento e a fragilidade das penalidades para infrações ambientais são apontadas como entraves. A expectativa é que o governo federal anuncie medidas para o bioma nos próximos meses.



