Um novo documentário sobre Chico Mendes, o líder seringueiro e ativista ambiental assassinado em 1988, promete chocar e emocionar o público ao exibir imagens nunca antes vistas do julgamento dos seus assassinos. A produção, intitulada “Chico Mendes: O Julgamento”, reúne mais de 200 horas de material bruto recuperado dos arquivos do Tribunal de Justiça do Acre, incluindo cenas do tribunal, depoimentos e reações dos réus.
Contexto histórico do assassinato
Chico Mendes foi morto a tiros em 22 de dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre, por fazendeiros que se opunham às suas ações de proteção da floresta e dos direitos dos seringueiros. O crime teve repercussão internacional, mas o julgamento dos envolvidos foi marcado por polêmicas e reviravoltas. Até hoje, apenas parte dos responsáveis foram condenados.
O documentário e as imagens inéditas
Segundo o diretor do documentário, Marcos Prado, as imagens estavam esquecidas em arquivos do tribunal e foram descobertas por uma pesquisa acadêmica. “É um registro histórico vital. Vemos o réu Darly Alves da Silva, um dos mandantes do crime, dando entrevistas durante o julgamento, e a tensão no ar. Nunca foi mostrado antes”, afirma Prado.
O filme também inclui entrevistas com familiares de Chico Mendes, advogados e testemunhas, oferecendo uma visão abrangente do processo judicial que durou anos.
Impacto e legado
O documentário chega em um momento em que o legado de Chico Mendes é relembrado por seu papel na luta ambiental. A expectativa é que as imagens ajudem a reacender o debate sobre a impunidade no Brasil. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, apenas 8% dos casos de assassinatos de líderes rurais na região amazônica chegam a uma condenação definitiva.
A estreia está prevista para o segundo semestre de 2026, em festivais de cinema e posteriormente em plataformas de streaming. A produção é uma coprodução entre a TV Brasil e uma produtora independente.



