Incêndios na França e Espanha forçam evacuação de 300 mil
Incêndios na França e Espanha: 300 mil evacuados

Desde a última quarta-feira (22), incêndios florestais de grandes proporções atingem a França e a Espanha, forçando cerca de 300 mil pessoas a abandonarem suas casas e locais de hospedagem. As chamas são alimentadas por altas temperaturas, ventos fortes e uma seca prolongada, consumindo dezenas de milhares de hectares e mobilizando milhares de bombeiros e militares nos dois países.

França: cenário crítico no sudoeste

Na França, o foco mais grave está no sudoeste, nas regiões de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção a Bordeaux. Na noite de sábado (25), 55 mil pessoas receberam ordem de evacuação, elevando para aproximadamente 250 mil o total de moradores e turistas obrigados a deixar a região desde o início da crise. As chamas já destruíram pelo menos 42 mil hectares — área equivalente a cerca de quatro vezes o território de Paris — e centenas de imóveis.

O governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de fogo. Ao todo, 1.500 militares foram deslocados para apoiar as evacuações e proteger residências abandonadas. Segundo a BBC, o presidente Emmanuel Macron deve convocar uma reunião de emergência com ministros diante da escalada dos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em todo o país, considerados pelo governo uma crise sem precedentes. Em mensagem nas redes sociais, Macron assegurou: 'Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário' nas áreas mais afetadas.

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Espanha: estado de emergência nacional

Na Espanha, os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde incêndios florestais que começaram separadamente acabaram se unindo. Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas já foram evacuadas das regiões de Madri e Ávila, enquanto outras 28 mil permanecem confinadas em suas casas, segundo o Ministério do Interior espanhol. O governo espanhol decretou, pela primeira vez, estado de emergência nacional por causa dos incêndios florestais.

O governo regional de Madri informou que mais de 2 mil pessoas recebem atendimento em 14 centros de emergência. A Unidade Militar de Emergências (UME) atua com cerca de 1.200 militares e 400 veículos no combate aos incêndios nas regiões de Madri, Ávila e Valência. Além das equipes nacionais, a União Europeia enviou 11 aviões e helicópteros da frota europeia de combate a incêndios para apoiar França e Espanha, conforme anunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

'Horas difíceis estão por vir'

Em visita ao posto de comando em Ávila na manhã de domingo (25), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade do governo é preservar vidas. Apesar de avaliar que a última noite trouxe avanços no controle das chamas, ele alertou que o país ainda enfrenta 'horas difíceis' e que a evolução dos ventos segue sendo um fator de preocupação para as equipes de combate ao fogo.

Sánchez também relacionou os incêndios à emergência climática, destacando que Espanha e Portugal vêm sofrendo os efeitos do fenômeno por meio de eventos extremos, como incêndios florestais, tempestades e fortes nevascas. 'Toda a Península Ibérica está sofrendo os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica', afirmou em entrevista ao The Guardian. O primeiro-ministro reforçou que a luta contra o fogo continua e que a situação ainda depende das condições meteorológicas.

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