O mês de junho de 2026 terminou com um comportamento climático incomum no Sul de Minas. Tradicionalmente marcado pelo auge da estiagem, com predomínio de tempo seco e baixa umidade, o período foi diferente neste ano devido à passagem frequente de frentes frias e áreas de instabilidade, que aumentaram significativamente o volume de chuva na região.
Volume de chuva quase dobra em relação à média histórica
Um levantamento feito pela EPTV, afiliada TV Globo, com dados climatológicos de 164 municípios sul-mineiros mostra que a região registrou, em média, 183,8% do volume esperado para junho, quase o dobro da média histórica. Dos 164 municípios analisados, 148 (90%) tiveram chuva acima da média, 14 ficaram abaixo e apenas 2 registraram exatamente a média.
Ranking das cidades com maior e menor volume de chuva
O município de Elói Mendes liderou o ranking com 365% da média histórica, acumulando 73 mm contra os 20 mm esperados. Varginha apareceu em segundo lugar, com 360% da média (72 mm ante 20 mm). Extrema registrou 348% (167 mm contra 48 mm), Serrania 344% (62 mm contra 18 mm) e Carvalhópolis 340% (68 mm contra 20 mm).
Por outro lado, Passa Vinte teve o menor percentual, com apenas 57% da média (17 mm contra 30 mm). Itutinga e Candeias registraram 78% (14 mm contra 18 mm cada). Bocaina de Minas ficou com 80% (45 mm ante 56 mm) e Carrancas com 81% (21 mm ante 26 mm).
Destaques regionais e exceções
Entre os principais polos regionais, Varginha chamou a atenção ao ocupar a segunda colocação no ranking estadual, com mais que o triplo da chuva normalmente registrada em junho. Outros municípios também encerraram o mês acima da média, como Itajubá (254%), Alfenas (211%), São Lourenço (196%), Pouso Alegre (182%) e Poços de Caldas (121%). A exceção foi Lavras, que acumulou 17 milímetros, atingindo 89% da média histórica.
Outro dado curioso do levantamento é que Guapé e São Tiago registraram exatamente o volume esperado para junho, fechando o mês com 100% da média histórica, com acumulados de 18 e 19 milímetros, respectivamente.
Análise climatológica e perspectivas para o inverno
Segundo a análise climatológica, o comportamento atípico de junho foi provocado pela atuação sucessiva de frentes frias e sistemas de instabilidade, que interromperam o padrão típico da estação seca. Para o restante do inverno, a expectativa é de manutenção da alternância entre massas de ar frio e períodos de grande amplitude térmica no Sul de Minas, característica comum da estação, mas ainda com possibilidade de episódios de chuva associados à passagem desses sistemas meteorológicos.



