Casal de pirarucus protege filhotes com técnica de sobrevivência em MT
Casal de pirarucus protege filhotes com técnica em MT

Um vídeo impressionante registrado na última sexta-feira (24) pelo pescador e influenciador Tiger Bilzerian mostra um casal de pirarucus conduzindo dezenas de filhotes pelas águas rasas do Rio Teles Pires, no Porto Santo Expedito, em Itaúba, a 599 km de Cuiabá. As imagens rapidamente viralizaram, acumulando mais de 3 milhões de visualizações apenas na publicação original. O comportamento curioso dos peixes chamou a atenção não apenas pelo espetáculo visual, mas também pela estratégia de sobrevivência que representa.

Estratégia de sobrevivência em águas rasas

Segundo Tiger Bilzerian, o nado em águas rasas é uma tática deliberada da espécie para proteger os filhotes de predadores naturais, como o peixe-cachorra. Em águas rasas, os predadores maiores têm dificuldade de manobrar, o que oferece proteção adicional aos filhotes. “Os predadores atacam os filhotes. É comum que, no fim do trajeto, sobrem cerca de 50, dependendo do habitat. Esse casal deve ter uma estratégia muito boa porque, desse tamanho, já era para ter bem menos filhotes”, analisou o influenciador em entrevista ao g1. A eficácia do método é evidente na grande quantidade de alevinos que nadam próximos aos pais, sugerindo uma taxa de sobrevivência excepcional.

Predadores e desafios naturais

Além do peixe-cachorra, os filhotes de pirarucu enfrentam ameaças de ariranhas e jacarés, que também atuam como predadores na cadeia alimentar do ecossistema amazônico. A seleção natural é rigorosa, e apenas os filhotes mais adaptados conseguem chegar à idade adulta. A proteção parental, observada nesse casal, é um fator crucial para aumentar as chances de sobrevivência da prole. Os pais também podem agir ativamente na defesa, afugentando intrusos com sua força.

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Características e importância do pirarucu

O pirarucu (Arapaima gigas) é um dos maiores peixes de água doce do mundo e o maior peixe com escamas da Amazônia. Pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar mais de 200 kg. Sua respiração aérea, que exige que suba à superfície a cada 10 a 15 minutos, o torna vulnerável à pesca, mas também é uma adaptação a águas com baixo oxigênio. Sua carne é considerada nobre, com baixo teor de gordura e propriedades anti-inflamatórias, além de auxiliar na redução do colesterol e dos triglicérides. Essas características tornam a espécie alvo da pesca comercial e esportiva. No entanto, o pirarucu também é classificado como uma espécie exótica invasora fora de sua área de ocorrência natural, o bioma amazônico.

Medidas de controle do Ibama

Em março deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou uma medida autorizando a pesca do pirarucu em dez regiões hidrográficas do Brasil, incluindo as bacias dos rios Paraná, São Francisco e Tocantins, onde a espécie foi introduzida e se tornou invasora. O objetivo é controlar a população do pirarucu nessas bacias. Segundo o Ibama, o pirarucu é um predador de topo de cadeia, com hábito alimentar generalista e oportunista, capaz de ocupar diferentes nichos do ambiente aquático. Essas características ampliam o potencial de impacto sobre a ictiofauna local, o que tem motivado pedidos de medidas de controle em diversas bacias hidrográficas. A medida gerou controvérsia entre ambientalistas e pescadores, que veem na pesca controlada uma forma de manejo sustentável.

A situação do casal registrado em Itaúba, porém, ocorre dentro da área natural de distribuição do pirarucu, e o comportamento observado reforça a complexidade e a adaptabilidade dessa espécie fascinante. Registros como o de Tiger Bilzerian ajudam a divulgar a importância da preservação dos ecossistemas aquáticos e da biodiversidade amazônica.

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