A suspensão do medicamento Elevidys, que pode retardar a perda muscular causada pela Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), completa um ano em julho de 2026 sem uma decisão final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Famílias como a de Arthur Jordão, de Sorocaba (SP), cobram uma resposta urgente, pois o prazo para administração do remédio em crianças de até 8 anos está se esgotando.
O que levou à suspensão do Elevidys?
A Anvisa suspendeu a comercialização e uso do Elevidys em 24 de julho de 2025, após a agência reguladora dos Estados Unidos, Food and Drug Administration (FDA), relatar duas mortes de pacientes e indícios de efeitos colaterais graves na saúde hepática. Na época, o medicamento estava liberado no Brasil havia seis meses em caráter excepcional. A medida gerou revolta entre as famílias, que veem no remédio a única chance de atrasar a progressão da doença degenerativa.
Famílias na corrida contra o tempo
Para crianças com DMD, o Elevidys é recomendado até os 7 anos e 11 meses de vida. Arthur Jordão completou 7 anos em 30 de junho de 2026, restando menos de 12 meses para o fim do prazo. "É um verdadeiro absurdo eles suspenderem o remédio em 24 de julho do ano passado, informar que a avaliação seria com brevidade e exatamente um ano depois não ter apresentado resultado nenhum", afirma Natália Jordão, mãe de Arthur. Ela estima que muitas crianças já perderam a janela de tratamento durante esse período de morosidade.
Pressão política e judicial
Em junho de 2026, a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados realizou uma reunião para cobrar respostas da Anvisa e do laboratório Roche, produtor do medicamento. Natália Jordão discursou no evento, questionando os prazos do processo. Enquanto isso, a família entrou na Justiça para conseguir o remédio, que custa cerca de R$ 17 milhões em dose única.
O que dizem Anvisa e Roche?
A Anvisa informou que segue avaliando o caso e depende dos dados da empresa detentora do registro. "Não é possível antecipar informações sobre qualquer documentação enviada e o prazo para sua conclusão", disse a agência. Já a Roche afirmou que, em 19 de junho de 2026, enviou relatórios com dados de quatro anos de acompanhamento dos pacientes. "A Roche reitera sua confiança no perfil positivo de benefício-risco de Elevidys", declarou a empresa em nota.
Especialista explica o processo de liberação
Luciane Lopes, professora do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), explica que o procedimento para doenças raras é único e exige cautela. "Em 2025 surgiram novas informações internacionais relacionadas a óbito e insuficiência hepática. A Anvisa tem que parar tudo e analisar com cautela", afirma. Ela destaca que a agência depende de dados completos fornecidos pelo laboratório.
Campanha de arrecadação e luta pela vida
Enquanto aguarda a decisão regulatória, a família de Arthur mantém uma campanha de arrecadação iniciada em junho de 2025. Até o momento, foram arrecadados pouco mais de R$ 1,1 milhão, menos de 7% do valor necessário. "Estamos correndo contra o tempo e toda ajuda é bem-vinda", diz Natália. Ela reforça que o tempo é o maior inimigo: "Esse é o maior tempo de análise de uma suspensão feita pela Anvisa até hoje. É revoltante essa demora."



