PF aciona AGU após suspeita de interferência de Mendonça em caso do INSS
PF aciona AGU por interferência de Mendonça em caso INSS

A Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União após identificar o que classifica como 'interferência' do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em um inquérito que apura fraudes em descontos de aposentados do INSS. O caso envolve também investigações relacionadas a Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Contexto da investigação

O inquérito em questão trata de supostas irregularidades em descontos consignados nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. A PF investiga esquemas de fraudes que teriam lesado milhares de segurados. No curso das apurações, surgiram elementos que apontam para a participação de pessoas próximas a Lulinha, o que teria motivado a atuação do ministro Mendonça.

Segundo fontes da PF, o ministro teria proferido decisões que, na visão dos investigadores, ultrapassam os limites da atuação judicial e interferem diretamente no andamento das investigações. A PF entende que tais medidas comprometem a autonomia do órgão e a apuração dos fatos.

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O pedido à AGU

Diante desse cenário, a PF encaminhou um ofício à AGU solicitando que o órgão questione formalmente as determinações de Mendonça. O pedido baseia-se no argumento de que as decisões do ministro configuram interferência indevida em investigação em curso, o que viola princípios constitucionais, como o da separação dos Poderes e da independência funcional da Polícia Federal.

A AGU, que representa judicialmente a União, deverá analisar o pedido e decidir se adota as medidas cabíveis, podendo recorrer ao próprio STF ou a outras instâncias. A expectativa é que o órgão se manifeste nos próximos dias.

Reações e desdobramentos

O ministro André Mendonça, por sua vez, não se pronunciou oficialmente até o momento. Nos bastidores, aliados do ministro defendem que suas decisões estão dentro da legalidade e que não há interferência. O caso, no entanto, acirra os ânimos entre os Poderes, especialmente em um momento de tensão entre o STF e o governo federal.

A sociedade civil e especialistas em direito constitucional acompanham o desenrolar do caso. Para o advogado criminalista João Pedro Silva, 'a situação é delicada, pois envolve a atuação de um ministro do STF em um caso que pode ter implicações políticas. A PF tem o dever de zelar pela independência de suas investigações'.

O inquérito das fraudes no INSS é um dos maiores já abertos pela PF, com prejuízos estimados em mais de R$ 200 milhões. A participação de figuras ligadas a Lulinha adiciona um componente político que torna o caso ainda mais sensível.

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