A Justiça decidiu manter a prisão preventiva de Mayanna Angelina Rodgers, de 29 anos, mãe do menino Oliver, de 3 anos, que morreu após ser espancado pelo pai. A decisão foi tomada após audiência de custódia na sexta-feira (10), um dia depois de sua detenção. Ela é investigada por omissão e tortura. O pai da criança, Dandre Jermaine Grayson, apontado como autor do crime, também permanece preso.
Contexto do crime
De acordo com a polícia, as agressões que resultaram na morte de Oliver foram cometidas pelo pai porque o menino não lhe deu "bom dia". O crime ocorreu no distrito de Águas Claras, em Viamão, onde a família morava. O menino foi internado em estado gravíssimo na UTI pediátrica do Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre e morreu na noite de quarta-feira (8). O próprio agressor levou a criança ao hospital de Viamão no domingo (5).
Irmãos também sofriam agressões
Os quatro irmãos de Oliver foram encaminhados para acolhimento institucional. As crianças relataram que também sofriam agressões. Uma delas apresentava marca de mordida no corpo. Segundo relatório do Conselho Tutelar, as irmãs fizeram relatos espontâneos de que a genitora também utilizava violência física como forma de disciplina. "As irmãs realizaram relatos espontâneos de agressões praticadas pela genitora, informando que esta também fazia uso de violência física como forma de disciplina, mencionando, inclusive, que [nome da criança] havia sido agredida pela mãe", diz o documento.
Investigação e prisão do pai
A Polícia Civil afirma que o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson confessou o crime e está preso desde domingo (5). Em depoimento, ele disse que a motivação foi o filho não ter lhe dado "bom dia". A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, substituta na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) e responsável pela investigação, relatou que o homem desferiu socos no peito e no abdômen da criança e bateu a cabeça do menino contra o chão. O norte-americano foi preso em flagrante no hospital e, na segunda-feira (6), a Justiça converteu o flagrante em prisão preventiva.
Defesa da mãe
Em nota, a defesa de Mayanna afirma que ela "é vítima e se encontrava em estado de grave vulnerabilidade no contexto de violência doméstica, física, emocional e espiritualmente". A defesa diz colaborar com as autoridades e confia no devido processo legal. Mayanna tem dupla cidadania (norte-americana e japonesa). Segundo as autoridades, a família vive no Brasil há nove anos e havia se mudado para Viamão há cerca de oito meses.



