Oliver Yatsugafu, de 47 anos, diretor artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi indiciado pela Polícia Civil após a conclusão de dois inquéritos que apuravam denúncias envolvendo três alunas e musicistas da instituição. Ele foi afastado das funções em novembro de 2025, após as denúncias de assédio sexual. Em depoimento, Yatsugafu negou todas as acusações.
Indiciação por assédio sexual
Segundo a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), o professor foi indiciado pelo crime de assédio sexual contra uma estudante de Música, de 21 anos, e por constrangimento ilegal contra outras duas mulheres. Os dois inquéritos foram encaminhados à Justiça e ao Ministério Público para análise e adoção das medidas cabíveis.
De acordo com a Polícia Civil, a estudante de 21 anos participava de um projeto de extensão coordenado pelo professor quando teria ocorrido a conduta denunciada. No primeiro boletim de ocorrência sobre assédio sexual, a vítima relatou não ter nenhum relacionamento além de acadêmico com o professor, mas que ele apresentou comportamento possessivo em relação a ela diversas vezes. As tentativas de aproximação começaram desde 2023, mas se intensificaram após o suspeito ir até a casa dela e entrar em seu quarto sem autorização. No relato, a vítima disse que ele se declarou para ela, afirmando que o casamento que mantinha era de fachada. Nesse momento, o tio da vítima apareceu no quarto e ameaçou chamar a polícia.
Pouco depois, a vítima contou à polícia outros episódios que passou dentro da orquestra e que não quis denunciar antes porque não queria que o projeto fosse encerrado. No ano anterior, a vítima citou um caso em que o suspeito, durante a aula, disse para ela entregar o celular porque desconfiava que estivesse com outra pessoa. O suspeito teria pego o celular, que estava carregando, e jogado sobre o piano. Durante a investigação, foram ouvidos familiares, colegas da aluna e outras pessoas ligadas ao ambiente universitário. Conforme a polícia, os depoimentos reforçaram o relato de abalo emocional da vítima e apontaram supostos comportamentos invasivos e abordagens diferenciadas por parte do professor. Com base nos elementos reunidos, a investigação concluiu pela existência de indícios da prática, em tese, do crime de assédio sexual, previsto no artigo 216-A do Código Penal.
Constrangimento ilegal
Já o segundo inquérito teve como vítimas duas musicistas, de 23 e 39 anos, que foram chamadas pelo professor para uma reunião em novembro de 2025, antes de um ensaio realizado no Departamento de Artes da universidade. Segundo a investigação, durante o encontro, o professor teria pedido que as duas mulheres conversassem com a vítima do primeiro inquérito para tentar convencê-la a retornar às atividades de um projeto musical. Ainda conforme o inquérito, durante a conversa, o professor teria se colocado em frente à porta da sala e impedido que as mulheres deixassem o local. A restrição da liberdade teria durado aproximadamente três minutos. Após conseguirem sair da sala, as duas procuraram abrigo em outro espaço da universidade, onde foram encontradas nervosas e emocionalmente abaladas, segundo a Polícia Civil. Neste segundo procedimento, ele foi indiciado pelo crime de constrangimento ilegal, previsto no artigo 146 do Código Penal.
Os casos geraram comoção na comunidade acadêmica da UFMT. A universidade ainda não se pronunciou oficialmente sobre as indicações. Oliver Yatsugafu, que nega as acusações, poderá responder pelos crimes em liberdade até decisão judicial.



