A Justiça do Distrito Federal manteve, por unanimidade, a condenação de Wellington Macedo de Souza a seis anos de prisão em regime inicial fechado pelo crime de explosão majorada. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (29) e refere-se ao caso da bomba colocada em um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto Internacional de Brasília, em dezembro de 2022. O artefato estava carregado com 63 mil litros de querosene de aviação e só não detonou por uma falha no mecanismo de acionamento.
Detalhes do Crime e da Investigação
O crime ocorreu em 24 de dezembro de 2022. Segundo as investigações, Wellington Macedo, George Washington de Oliveira Sousa e Alan Diego dos Santos Rodrigues se conheceram no acampamento montado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, após as eleições daquele ano. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o grupo por planejar crimes que provocassem comoção social para estimular uma intervenção militar e a decretação de Estado de Sítio.
Inicialmente, o plano era colocar o explosivo próximo a um poste para prejudicar a distribuição de energia elétrica na capital. Na véspera do Natal, porém, o grupo mudou o alvo. Segundo a denúncia, George montou o artefato e o entregou a Alan, que o repassou a Wellington. Wellington e outro homem foram até a região do aeroporto e colocaram a bomba no eixo traseiro do caminhão-tanque.
Argumentos da Defesa Rejeitados
No recurso, a defesa de Wellington alegou ausência de intenção, desconhecimento sobre o conteúdo transportado e defendeu a tese de crime impossível, argumentando que o artefato não teria capacidade real de explodir. Os desembargadores rejeitaram todos os argumentos. Imagens de câmeras de segurança e a confissão de um dos envolvidos mostraram que o grupo passou repetidas vezes pelo local antes de escolher o ponto onde o explosivo seria colocado. A perícia concluiu que a carga explosiva tinha capacidade para provocar uma detonação.
A Turma também rejeitou o pedido para reconhecer participação de menor importância de Wellington. Para o colegiado, ele transportou o artefato e ajudou a escolher o local e o momento da ação, tendo participação essencial na execução do crime. A condenação foi por explosão majorada, com aumento de pena devido ao fato de o artefato ter sido colocado em um caminhão-tanque carregado com combustível altamente inflamável.
Após a Condenação: Prisão no Paraguai e Medidas Cautelares
Wellington passou meses foragido e foi preso no Paraguai em setembro de 2023. Ele cumpriu parte da pena em regime fechado e, em dezembro de 2024, recebeu autorização para o regime semiaberto. Em junho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nova prisão preventiva contra Wellington e os outros dois condenados, após descumprimento de medidas cautelares. Em setembro do mesmo ano, Moraes negou pedido de soltura da defesa, destacando que Wellington descumpriu a prisão domiciliar e publicou um vídeo nas redes sociais dizendo que estava fugindo de um mandado de prisão e pedindo contribuições financeiras.
Contexto e Motivações do Grupo
O caso gerou grande repercussão por envolver um atentado planejado durante o período natalino, próximo a um dos principais aeroportos do país. As investigações apontaram que o grupo tinha motivações políticas, visando desestabilizar o governo e provocar intervenção militar. A manutenção da condenação de Wellington reforça a responsabilidade dos envolvidos, mesmo diante das tentativas de minimizar sua participação.



