Vento de 60,5 km/h pode ter contribuído para queda de avião em Mogi Mirim
Vento de 60,5 km/h pode ter contribuído para queda de avião

As rajadas de vento que atingiram 60,5 km/h em Mogi Mirim (SP) na tarde desta terça-feira (29) podem ter contribuído para a queda de um avião de pequeno porte que matou o piloto Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos. A informação foi confirmada pela Defesa Civil da cidade, que registrou o pico das rajadas por volta das 16h30, horário estimado do acidente.

Condições climáticas no momento do acidente

Segundo a Defesa Civil, a velocidade constante dos ventos — sem considerar rajadas — começou a ganhar força por volta das 16h, atingindo cerca de 20,6 km/h entre 16h30 e 17h. Entre 17h e 18h30, a velocidade constante chegou a 18 km/h, com rajadas de até 50 km/h. Depois disso, os ventos perderam intensidade. Apesar dos registros, testemunhas relataram ao órgão que não havia vento no local no momento da queda.

Especialista ouvido pelo g1 afirmou que as rajadas podem ter sido um fator contribuinte para o acidente, devido às características da aeronave, que era experimental e de pequeno porte. "É o que a gente chama de fator contribuinte. Pode não ser apenas isso, mas pode ter contribuído", explicou. Ele ponderou que as condições meteorológicas não devem ser tratadas como causa única, mas como um elemento que pode ter influenciado a perda de controle do avião.

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Detalhes da aeronave e do piloto

A aeronave, um modelo Conquest de dois lugares, prefixo PU-DON e fabricado em 2004, pertencia à escola de aviação Sport Pilot, localizada no Aeroclube Municipal de Mogi Mirim. O proprietário da escola, Gerson Martinez, informou que o piloto Leonardo Bezerra Pinheiro era gestor de segurança da instituição e estava realizando um voo local.

Segundo Martinez, antes da decolagem, Leonardo abasteceu o avião com uma quantidade de combustível "um pouco maior" do que o necessário para um voo local. "Foi colocada uma quantidade de combustível um pouquinho maior do que seria para um voo local. E, segundo o cara que abasteceu, após a decolagem parece que ele perdeu o controle da aeronave, entrou em atividade anormal e veio a se acidentar", relatou. O proprietário disse não saber por que foi colocado mais combustível, mas cogitou que foi por precaução contra o tempo ou a chuva, "pra ter um pouco mais de segurança caso tenha de fazer uma arremetida, ter de ir pra outro aeroporto".

A queda e o resgate

O acidente ocorreu por volta das 16h30 na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, na zona rural de Mogi Mirim. Após a queda, a aeronave pegou fogo. O Corpo de Bombeiros foi acionado e, às 17h, ainda combatia as chamas. O piloto morreu carbonizado. A aeronave ficou completamente destruída.

Investigação em andamento

A Polícia Civil de Mogi Mirim, por meio da delegada Emília de Oliveira Araújo, informou que a perícia está sendo realizada para identificar formalmente a vítima. A causa do acidente será investigada. A Força Aérea Brasileira (FAB) comunicou que investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV) foram ao local para coletar dados e verificar os danos. A queda será investigada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).

Em nota, a FAB detalhou: "Durante a Ação Inicial, realizada logo após o evento, investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes. Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes e, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências".

Gerson Martinez afirmou que a escola funcionava regularmente e que prestará os esclarecimentos necessários e apoio à família do piloto. A comunidade aeronáutica local aguarda os resultados da investigação para entender as causas da tragédia.

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