Crise financeira ameaça operação dos trens no Rio
A Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) solicitou informações oficiais sobre uma dívida de R$ 15 milhões deixada pela antiga concessionária SuperVia. O débito, contraído junto a fornecedores de peças e serviços, coloca em risco o sistema de tens que atende a Região Metropolitana do Rio. O pedido foi formalizado pelo presidente da comissão, deputado estadual Dionísio Lins (PL), que busca esclarecer responsabilidades e traçar estratégias para a quitação dos valores.
Detalhamento da dívida e impacto na operação
De acordo com informações preliminares, a SuperVia acumulou passivos com empresas que fornecem componentes essenciais para a manutenção dos trens, como sistemas de freio, portas e ar-condicionado. A falta de pagamento pode levar à paralisação dos serviços de reparo, comprometendo a frota em circulação. Estima-se que cerca de 30% dos trens estejam com manutenção atrasada, o que já causa atrasos e cancelamentos. O deputado Dionísio Lins afirmou: “Precisamos de transparência total sobre essas dívidas para evitar um colapso no transporte ferroviário. A população não pode ser refém de problemas financeiros de gestões passadas.”
Nova operadora enfrenta desafios herdados
A Trens-RJ, empresa que assumiu a concessão em 2022, já enfrenta dificuldades para normalizar o serviço. Além da dívida, a nova operadora lida com infraestrutura sucateada e questões de segurança nas estações. A comissão também quer saber se a Trens-RJ tem condições financeiras de arcar com os débitos sem repassar custos aos passageiros. O contrato de concessão prevê que a nova empresa não é obrigada a assumir passivos anteriores, mas a situação pode gerar judicialização.
Medidas emergenciais e próximos passos
A Alerj deve convocar representantes da SuperVia, da Trens-RJ e da Secretaria Estadual de Transportes para prestar esclarecimentos em audiência pública. O objetivo é pressionar o governo do estado a apresentar um plano de regularização dos débitos. Caso não haja solução, a comissão pode sugerir a abertura de uma investigação do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Enquanto isso, passageiros relatam trens lotados e viagens mais demoradas, agravadas pela redução de viagens em horários de pico.
Histórico de problemas no sistema ferroviário
A SuperVia operou por 24 anos, mas teve a concessão encerrada em 2021 após sucessivas falhas na prestação do serviço. Desde então, o governo estadual tenta reverter a má qualidade do transporte sobre trilhos. A dívida de R$ 15 milhões é mais um capítulo nesse histórico, que já inclui multas e ações judiciais. Especialistas apontam que a falta de investimento em manutenção preventiva e a crise financeira da concessionária anterior contribuíram para o cenário atual. A expectativa é que a comissão apresente um relatório conclusivo em até 60 dias.



