Advogada presa em resort na BA é suspeita de desviar R$ 600 mil de clientes
Advogada presa em resort suspeita de desviar R$ 600 mil

A advogada Rina Campbell Pena, presa em um resort de luxo na Bahia, é suspeita de desviar cerca de R$ 600 mil de clientes em Goiânia, conforme informou a Polícia Civil de Goiás. A investigação aponta que ela retirava valores de alvarás judiciais e não os repassava para os clientes. Rina foi presa na quarta-feira (22), mas solta após concessão de habeas corpus.

Investigação aponta 17 vítimas

De acordo com a polícia, a advogada fez 17 vítimas. Ela convencia clientes de baixa renda com financiamento imobiliário a pedirem revisões dos contratos ou distratos na Justiça, ou a renegociar as dívidas, afirmando que isso reduziria os juros e o valor das parcelas. No entanto, as parcelas deixavam de ser pagas e as dívidas aumentavam devido aos juros.

“Ela conseguia, por meio de captadores de ações ou do boca a boca, convencer os clientes a entrarem com ações revisionais de contrato ou fazer acordos com imobiliárias. Uma vez feito isso, ela encontrava alguma forma de se apropriar do direito dessas vítimas”, afirmou o delegado Douglas Pedrosa em entrevista à TV Anhanguera.

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Vítima relata prejuízo

Uma das vítimas contou à TV Anhanguera que havia recebido uma proposta de acordo de cerca de R$ 54 mil. Entretanto, a advogada a convenceu a não aceitar e entrar com a ação judicial. “Depois de um tempo, ela fez um acordo por conta dela e eu descobri porque estava demorando muito. Ela começou a não me atender, não me responder, aí a gente descobriu que ela tinha feito um acordo por conta própria e já tinha pego o dinheiro”, relatou.

Medidas cautelares após soltura

Após o pedido de habeas corpus ser atendido pela Justiça, a advogada teve a liberdade restabelecida, mas com três medidas cautelares: comparecimento mensal ao juízo para informar e justificar suas atividades; proibição de ausentar-se da Comarca de Goiânia por mais de 15 dias sem autorização judicial; e suspensão do exercício da advocacia até o exame do mérito do habeas corpus, a fim de resguardar a ordem pública.

Posicionamento da defesa

A defesa de Rina afirmou que a prisão era “injusta e incompatível com os elementos efetivamente constantes dos autos”. Em nota, a defesa informou que “todos os esclarecimentos serão apresentados no momento oportuno, de forma técnica, responsável e devidamente fundamentada”. A defesa reafirmou confiança na Justiça e disse que não fará outras manifestações sobre o mérito da causa.

OAB-GO acompanha o caso

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) acompanhou a Operação Causa Própria, nos dias 22 e 23 de julho. A Seccional esclareceu que apura todas as infrações ético-disciplinares que chegam ao seu conhecimento, mas não comenta eventuais prisões ou condenações de advogados inscritos.

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