A greve dos estudantes da Unicamp, que durou várias semanas, chegou ao fim oficialmente na noite desta sexta-feira (12). Os alunos do campus de Limeira (SP) conseguiram que sua principal reivindicação fosse atendida: a criação de um grupo de trabalho para implantar uma moradia estudantil na cidade. A informação foi confirmada por Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico de Limeira.
Acordo firmado
De acordo com a universidade, ficou definida a criação de um grupo de trabalho paritário para viabilizar a moradia, com investimento de até R$ 20 milhões. Além disso, serão adotadas medidas voltadas ao transporte estudantil, acessibilidade, convivência e ampliação dos serviços de apoio. Guglielmoni explicou que um grupo paritário reúne representantes de diferentes setores com o mesmo peso de participação, ou seja, os estudantes têm representação equivalente à parte técnica da universidade, ocupando cadeiras de decisão junto ao comitê institucional.
Reivindicação central
A criação de uma moradia estudantil no campus de Limeira era o pedido central dos alunos da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA) e da Faculdade de Tecnologia (FT), que entraram em greve em 6 de maio. Os estudantes afirmavam que, embora o reitor Paulo Cesar Montagner tenha anunciado, em agosto de 2025, estudos para a construção de alojamentos no campus, não existia um grupo técnico formado para levar o projeto adiante. Segundo Guglielmoni, o objetivo principal dos grevistas era garantir um termo de compromisso da Reitoria, já que a construção da moradia havia sido prometida durante a greve de 2023, mas não foi cumprida.
Terreno identificado
Víctor Guglielmoni contou ao g1 que já foi identificado um terreno viável para a construção da moradia. A Reitoria e a Prefeitura Universitária estão em negociação para viabilizar a área. No entanto, o espaço ainda passará por uma análise do grupo de trabalho, que discutirá se a área atende às necessidades da comunidade acadêmica e se é o melhor local para a construção. "Se for um local muito longe ou perigoso, com violência alta, provavelmente a gente vai se importar. Porque estamos falando de estudante. São vários fatores que influenciam", explicou.
Composição do grupo de trabalho
Segundo Víctor, a nomeação dos membros do grupo de trabalho deve ser imediata após a assinatura do acordo. O grupo terá um prazo de seis meses para realizar os estudos técnicos preliminares e tomar as decisões necessárias para dar seguimento ao processo de licitação. Em 2025, foi decidido que seria criado um grupo de trabalho paritário com 12 cadeiras para discutir a moradia estudantil em Limeira, com atividades começando em março de 2026, mas isso não aconteceu. Na nova formação, os estudantes ampliaram o número de cadeiras para incluir representantes do movimento indígena, do movimento negro e de pessoas com deficiência (PCD).
Contexto da reivindicação
Existia um impasse orçamentário: enquanto a universidade afirmava estudar melhorias dentro das possibilidades do orçamento, os estudantes criticavam a alegação de que não há recursos para viabilizar a moradia. A falta de moradia estudantil se cruza com outro problema: o aumento do custo de vida e a especulação imobiliária no entorno do campus. Atualmente, 452 estudantes recebem Bolsa Auxílio Moradia, no valor de R$ 725 mensais, mas o benefício não cobre todos os gastos. "Há também uma questão de gentrificação. A estrutura em volta da cidade universitária, que é o local onde existem mais moradias dedicadas a estudantes, começa a ficar cada vez mais cara. Então, a vida do estudante fica muito cara", informou Guglielmoni.



