Brasil precisa de reforma urgente na formação de professores, mostra Enade
Brasil precisa de reforma urgente na formação de professores

A educação de qualidade só é possível com professores bem formados. No entanto, os dados recentes do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) revelam que o Brasil ainda não trata a formação inicial docente com a seriedade necessária.

Resultados preocupantes do Enade

De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 20% dos alunos de licenciaturas alcançam o padrão considerado adequado. Em matemática, esse percentual representa somente 610 novos professores nesse nível – o mínimo esperado para um profissional apto a atuar na educação básica.

Exemplo chileno: formação como prioridade estratégica

Em missão no Chile, foi possível constatar que os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que colocam o país como líder na América Latina, não são fruto do acaso. A formação de professores é tratada como uma questão estratégica. Preparar futuros docentes exige escolhas intencionais e uma conexão permanente com a sala de aula.

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Na Universidade Diego Portales, em Santiago, o currículo é estruturado com base em três pilares: conhecimento sobre o conteúdo a ser lecionado, sobre os estudantes e sobre a pedagogia. Essa estrutura está articulada ao dia a dia da escola. A formação é em tempo integral, e os futuros professores estão semanalmente nas salas de aula da educação básica. Todas as atividades são desenhadas para simular situações reais do cotidiano docente.

Agravamento no ensino a distância

No Brasil, a situação se agrava quando se analisam as diferentes modalidades de ensino. Entre os estudantes formados exclusivamente a distância, 53% ficaram abaixo do nível básico, contra 26% dos formados presencialmente.

Caminhos para a solução

O diagnóstico está claro. A pergunta é: o que fazer com ele?

Primeiro, é necessário enfrentar com seriedade o problema da educação a distância nas licenciaturas. O Decreto 12.456/25, que proibiu a formação 100% remota, representa um avanço importante, mas insuficiente. Cabe ao Conselho Nacional de Educação garantir presença real nos cursos, com estágios supervisionados de qualidade, aprovando as novas Diretrizes Curriculares para Licenciaturas com 50% de carga horária presencial, 20% síncrona mediada e 30% de livre escolha.

Além disso, os currículos devem ser reformulados com foco na prática. O exemplo chileno é um espelho do que funciona. Futuros professores precisam estar nas escolas desde o início da graduação, desenvolvendo repertório prático para compreender como crianças aprendem, lidar com turmas heterogêneas e transformar conteúdos complexos em aprendizagem.

Por fim, é necessário pensar numa geração de futuros professores como projeto de país. Isso significa financiar bons cursos e oferecer bolsas para que os licenciandos possam se dedicar integralmente à graduação.

Não existe atalho. Sociedade, poder público e instituições de ensino superior precisam se conscientizar de que a formação docente é um dos investimentos mais estratégicos que o Brasil pode fazer. O Chile entendeu isso. Está na hora de o Brasil também entender.

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