Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes fechadas há mais de um ano
Igrejas do Carmo de Mogi fechadas há mais de um ano

Patrimônio histórico nacional, as Igrejas do Carmo de Mogi das Cruzes estão fechadas para visitação e celebrações há mais de um ano. O complexo, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), passou por obras emergenciais e avaliações técnicas, e uma das igrejas está em processo de restauração.

Construção histórica e fechamento

Construídas entre os séculos 17 e 18, as igrejas da Ordem Primeira e da Ordem Terceira também são tombadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). O conjunto guarda exemplares raros da arte barroca e rococó no estado e é considerado um dos patrimônios históricos mais importantes de Mogi das Cruzes.

O fechamento ocorreu após recomendações do Iphan, que orientou a administração a restringir o acesso público devido a problemas estruturais identificados. As portas permanecem fechadas enquanto órgãos de preservação acompanham a situação e as intervenções realizadas para garantir a segurança do patrimônio.

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Motivação e vistoria

A decisão de suspender as atividades foi tomada após o desabamento do teto da chamada "Igreja de Ouro", em Salvador, em fevereiro do ano passado, que resultou na morte de uma turista. Diante do caso, o pároco das Igrejas do Carmo, frei Jerry de Sousa Fonseca, solicitou uma vistoria do Iphan no complexo mogiano.

"O Iphan veio e emitiu uma nota técnica, um ofício recomendando que as igrejas permanecessem sem atividade, sem nenhuma celebração e fosse providenciado um laudo com uma empresa qualificada. O que foi feito mais ou menos em junho. E o laudo apontou que a ação do cupim estava mais avançada do que a gente imaginava", afirmou frei Jerry.

Laudo e obras emergenciais

Com a recomendação dos órgãos de preservação, as igrejas permaneceram fechadas enquanto avaliações mais detalhadas eram realizadas. Meses depois, um laudo estrutural confirmou o comprometimento de telhados e forros e apontou a necessidade de intervenções para garantir a segurança do conjunto histórico.

Antes da identificação dos problemas no forro, a Capela-Mor da Igreja da Ordem Primeira havia sido contemplada por um edital do Programa de Ação Cultural (ProAC), do Governo do Estado, no valor de R$ 2 milhões para obras de restauração. A captação foi feita pelo produtor cultural Déo Miranda. Com a descoberta dos danos estruturais, o planejamento precisou ser alterado para incluir os serviços emergenciais de escoramento do teto dentro do mesmo orçamento.

"Esse projeto previa somente uma restauração artística no forro, nos banhados a ouro, nos enfeites que precisam ser recuperados. O que a gente fez foi mudar o plano de trabalho e no lugar da restauração implantar um dispositivo de segurança que seria a escora até que se ache uma solução", explicou Déo Miranda, que também é o autor do projeto de restauro.

Acompanhamento e expectativas

Em maio deste ano, uma nova vistoria acompanhou o andamento das medidas emergenciais adotadas no complexo. Após a inspeção, o Iphan solicitou à Defesa Civil de Mogi das Cruzes um relatório técnico sobre as condições das igrejas. Segundo a Prefeitura, o documento ainda depende de informações complementares solicitadas à empresa responsável pelos trabalhos realizados no local.

"Nós estamos a um mês dos festejos de Nossa Senhora do Carmo. Os trabalhos na capela-mor estão em fase de conclusão e a expectativa é que nós possamos reabrir a igreja da Ordem Primeira e da Ordem Terceira para celebrações e para visitação do público. Porque não é só um patrimônio de fé... é um patrimônio da identidade de Mogi das Cruzes", destacou frei Jerry.

Importância para a comunidade

A expectativa pela reabertura é compartilhada por moradores e estudiosos do patrimônio histórico. O filósofo e pesquisador Guilherme Alberti, nascido e criado em Mogi das Cruzes, destaca a importância histórica do conjunto e defende que as intervenções realizadas sejam informadas à população.

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"Elas são a encarnação da identidade da cidade de Mogi das Cruzes. Não só da cidade de Mogi das Cruzes, mas até do Brasil. Afinal de contas, ela é tombada a nível nacional. Quando acontece o fechamento, a minha discordância não foi o fechamento. Mas a minha grande questão é em relação à transparência de como esse restauro está acontecendo. Como se trata de um patrimônio que não pertence só à memória carmelita, mas também à população de Mogi das Cruzes e até da formação da memória do povo brasileiro, passei a acompanhar no dia a dia como se daria a transparência e divulgação do passo a passo desse restauro", explicou Alberti.

Atuação do Ministério Público

No fim de maio, o Ministério Público transformou a apuração inicial sobre o caso em um inquérito civil para acompanhar as ações de conservação das Igrejas do Carmo. "Nós tivemos recentemente uma reunião aqui maravilhosa com o procurador do MP federal, sempre caminhando debaixo das orientações legais do Iphan, Condephaat e órgãos competentes. Nós precisamos dar os passos de acordo com a maneira correta", afirmou frei Jerry.

Futuro do patrimônio

Enquanto os trabalhos seguem em andamento, fiéis aguardam a reabertura de um dos patrimônios mais antigos de Mogi das Cruzes. Mais do que construções históricas, as Igrejas do Carmo guardam memórias de gerações de moradores e fazem parte da própria formação da cidade. "O nosso desejo, se estivesse em meu poder, reabriria imediatamente. Mas nós temos que fazer o que fizemos desde o início. Tudo que é digno, justo e verdadeiro é mais trabalhoso. Mas vamos fazer o que temos feito e quem sabe para os próximos anos o restauro de todo esse complexo", concluiu frei Jerry.