O vice-presidente da CBF, Ricardo Gluck Paul, revelou nesta segunda-feira um ambicioso projeto de capacitação para atletas das categorias de base. A iniciativa, que será apresentada na COP 30, em Belém, em 2025, tem como objetivo preparar os jovens jogadores para a vida dentro e fora dos gramados, especialmente aqueles que não conseguirão viver do futebol.
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 40 mil atletas nas categorias de base dos clubes, mas menos de 3% deles conseguem se profissionalizar com salários acima de cinco mínimos. É pensando nos 97% restantes que a CBF, por meio do programa CBF Impacta e do Comitê de Sustentabilidade, firmou parceria com a Faculdade Estácio para desenvolver uma plataforma de aulas online.
Programa de formação online
O curso terá duração de dois anos, divididos em quatro semestres, com cerca de cinco disciplinas por período. O conteúdo será adaptado ao público jovem, utilizando podcasts, disciplinas interativas e seminários. "O conteúdo jovem é conteúdo acessível, vai ser composto de podcasts, algumas disciplinas interativas, seminários, uma coisa que o jovem já está acostumado a consumir. Não é um programa de substituição do colégio. Pelo contrário", explicou Ricardo Paul.
Além de disciplinas tradicionais, o programa incluirá educação financeira, ambiental, autoconhecimento e educação antirracista. "A gente vai trazer outras vertentes. Tem alguma coisa, por exemplo, de educação financeira, educação ambiental, mas de autoconhecimento também, educação antirracista", completou.
Obrigatoriedade em estudo
A CBF estuda tornar a formação obrigatória para os atletas, com o objetivo de ampliar o alcance da iniciativa. Uma das possibilidades é exigir a conclusão ou matrícula no curso para que o jogador possa estrear no time profissional. "É uma contribuição de formação e de graça. São dois anos, agora se o menino entrou (no curso) e em um ano já se profissionalizou no clube, por exemplo, teria mais um ano para terminar. É uma ideia, estamos vendo possibilidades", afirmou o dirigente.
As atividades serão assíncronas, disponíveis na plataforma para os atletas acessarem, com prazo de um semestre para completar cada módulo. "A educação à distância tem uma ferramenta muito poderosa, que é desenvolver o autodidata. Você saber como é que você vai aprender. É um desafio, vamos aprender também ao longo do processo e pode ser que o projeto vá mudando", disse Paul.
Lançamento na COP 30
O projeto será apresentado na COP 30, em Belém, em 2025, como parte das iniciativas de sustentabilidade da CBF. A expectativa é começar a distribuir o programa entre jogadores e clubes a partir de 2027. "Queremos ter uma geração de atletas melhores, mas sobretudo olhar para os 97% que não vão ser atletas. Conseguir olhar para trás em algum momento e ver que mudamos a vida desses atletas", destacou.
A palestra foi realizada no Fórum Sustentabilidade em Campo, onde o dirigente detalhou o plano e conversou com a imprensa. A CBF também anunciou recentemente a transformação de lixo das competições em bolas de futebol, reforçando seu compromisso com a sustentabilidade.



