Fefol 2025: Festival reúne 2,8 mil artistas e 70 grupos em Olímpia
A 62ª edição do Festival do Folclore de Olímpia (SP) começa no sábado (1º) e promete encantar o público com mais de 130 apresentações de 21 estados. O evento, que já consolidou a cidade como Capital Nacional do Folclore, contará com 2,8 mil artistas e 70 grupos, segundo a organização. Em 2026, o estado homenageado será o Rio de Janeiro.
Mas o folclore não se limita aos palcos. Ele está enraizado em hábitos cotidianos: nas simpatias passadas de geração em geração, nos pratos típicos ensinados pelos avós e nos gestos que fazemos sem pensar. A fundadora do Grupo Olimpiense de Danças Parafolclóricas "Cidade Menina Moça" (Godap), Cidinhas Manzolli, explica: "A gente vive o folclore diariamente e às vezes não percebe. Está na forma que a gente se veste, no que a gente come, no que a gente bebe."
Folclore no dia a dia: simpatias e tradições familiares
Para além de figuras como saci-pererê e curupira, as manifestações folclóricas se revelam em pequenos atos. Cidinha Manzolli destaca que "são esses hábitos que vêm vindo, que nossos avós vão nos ensinando, que os nossos pais vão nos ensinando e que, automaticamente, a gente vai passando para a frente e a gente nem percebe. Isso não acaba mais."
Em Tarituba, distrito de Paraty (RJ), a pesca artesanal é um exemplo de tradição que atravessa gerações. O pescador Rafael de Souza Bulhões aprendeu com o pai e ensinou ao filho, o estudante Pablo Bulhões. "Não é só pelo peixe que a gente vai lá, é família, geração toda fazendo isso. É prazeroso, sabe?", afirma Pablo. Na comunidade, o pirão de peixe com banana é prato típico, preparado pela cozinheira Maristela de Souza Bulhões, que herdou a receita da família.
Congada e grupos locais mantêm a cultura viva
Em Olímpia, mais de 20 formações folclóricas e parafolclóricas atuam durante todo o ano. A Congada, manifestação afro-brasileira que mistura dança, música e fé, é mantida pelo mestre João Batista Ferreira. Ele aprendeu com o pai e hoje ensina os filhos: "Quando você tem a juventude e os filhos envolvidos nisso, fica mais seguro de que não vai se acabar." Os instrumentos são artesanais e o chapéu do grupo tem mais de 50 anos.
O Godap, grupo mais antigo de Olímpia, com 59 anos, reúne várias gerações. A dançarina Isabella Cabrera ressalta o envolvimento familiar: "Meu pai dançou muitos anos, dançou no festival ano passado e segue até hoje. Minha tia, meu avô, eu e minha prima dançamos. É uma paixão que passou junto com a família."
Impacto do Fefol na preservação cultural
O Festival do Folclore de Olímpia é um dos maiores do país e serve como vitrine para essas tradições. Segundo a organização, o evento não só apresenta espetáculos, mas também reforça a importância de manter vivas as heranças culturais. A série de reportagens "Fefol: Além do Palco", da TV TEM, explora exatamente essa conexão entre passado e presente, mostrando que o folclore é um patrimônio em constante transformação.
Com a 62ª edição, o Fefol reafirma seu papel na valorização da cultura popular brasileira, incentivando a transmissão de saberes entre gerações e celebrando a diversidade do país.



