A Comissão de Autocomposição responsável por negociar o futuro da concessão do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), está discutindo a antecipação das obras da segunda pista de pouso e decolagem. O grupo, que reúne representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Ministério de Portos e Aeroportos, tem até 10 de junho para concluir as conversas, conforme publicação no Diário Oficial da União.
Atualmente, a construção da segunda pista estava condicionada ao atingimento de 178 mil pousos e decolagens por ano, meta prevista em contrato. No entanto, o aeroporto registra cerca de 124 mil movimentações anuais. A discussão na comissão busca antecipar essa obra, ou seja, com a renovação da concessão, a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos seria obrigada a executar a pista extra independentemente do volume de voos.
A segunda pista é uma demanda antiga e estava prevista no plano de investimentos apresentado pela concessionária quando assumiu a operação do terminal, em junho de 2012. O contrato original previa cinco ciclos de investimento, mas apenas um foi realizado. A pista extra constava como uma das principais obras dos ciclos seguintes, juntamente com o projeto do aeroporto-cidade, que dependiam do aumento do fluxo para 178 mil movimentações anuais.
Em 2012, a concessionária chegou a anunciar a intenção de antecipar a construção, inicialmente prevista para 2018 e depois recalculada para 2017, mas o projeto nunca saiu do papel. A falta de uma segunda pista já causou transtornos: em outubro de 2012, um cargueiro quebrou e deixou o aeroporto inoperante por 45 horas, impedindo a chegada e saída de outras aeronaves. A obra também é considerada estratégica para atrair mais voos internacionais.
Em abril de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos prorrogou pela segunda vez o prazo de atuação da Comissão de Autocomposição até 10 de junho. A comissão foi criada em outubro de 2025 para buscar uma solução para a concessão por meio do diálogo entre o poder público e a concessionária, após o encerramento do processo de relicitação do terminal. Segundo o ministério, a maioria dos temas já foi consensuada, mas ainda faltam assuntos a serem consolidados.
Procurada, a Aeroportos Brasil Viracopos informou que não se manifestaria sobre o assunto devido a um acordo de confidencialidade firmado entre as partes. O Ministério de Portos e Aeroportos afirmou que acompanha as discussões e segue as diretrizes técnicas, mas não deu mais detalhes por o processo tramitar em sigilo. A Anac não respondeu até a última atualização desta reportagem.



