A Polícia Civil segue em busca de Ana Paula Lima de Souza Mariano, proprietária de uma clínica de estética em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, após 22 ex-pacientes formalizarem denúncias contra ela. As vítimas afirmam ter sofrido dores e sequelas decorrentes de procedimentos realizados no local. Ana Paula é considerada foragida da Justiça.
Pacientes relatam dores e complicações
Uma das vítimas, que preferiu não se identificar, contou que passou por uma harmonização nos glúteos em abril. Ela assinou um termo de consentimento antes da aplicação, mas o documento não estava assinado por Ana Paula, e sim por outra profissional identificada como biomédica. Após o procedimento, a paciente começou a sentir dores, febre, coceira e vermelhidão na região tratada. Ao buscar explicações, foi informada de que os sintomas eram normais.
“No dia em que passou na televisão que a clínica dela tinha sido fechada e que a Polícia Civil tinha estado lá, percebi que tinha caído em um golpe. O que ela me vendeu? Eu fiquei com medo. O que ela injetou nos meus glúteos? Continuo sentindo muita dor. Ela disse que aplicaria bioestimulador de colágeno e ácido hialurônico, mas, na verdade, eu não sei o que foi injetado. Entrei para me sentir melhor, para ficar bem, e hoje estou pior do que antes”, relatou.
A vítima realizou exames que apontaram a presença de um corpo estranho na região, e a cirurgia para remoção do material deve custar, no mínimo, R$ 52 mil.
Homem de 48 anos também sofreu sequelas
Outra vítima, um homem de 48 anos, procurou a clínica em março para realizar uma harmonização facial. Ele desenvolveu complicações e ficou internado por 17 dias, chegando a ser levado para a sala vermelha. “Entrei em contato com o Instituto Paula Lima, mas ela não me respondia. Hoje estou afastado do trabalho. Não consigo andar direito e manco, porque acredito que alguma estrutura tenha sido atingida. Espero que a Justiça seja feita”, disse.
O ex-paciente desenvolveu uma infecção bacteriana e aguarda, na fila do Sistema Estadual de Regulação (Sisreg), um procedimento cirúrgico para corrigir o problema.
Substância proibida e falta de qualificação
De acordo com as investigações, Ana Paula anunciava procedimentos de remodelação de glúteos com ácido hialurônico. No entanto, os pacientes recebiam aplicações de polimetilmetacrilato (PMMA), substância cujo uso para fins estéticos é proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). Além disso, a Polícia Civil informou que Ana Paula não possuía a especialização necessária para realizar esse tipo de procedimento.
Foragida e ativa nas redes sociais
Ana Paula foi alvo de uma operação policial no mês passado, mas continuava ativa nas redes sociais. Em uma publicação, afirmou: “Quanto mais falam de mim, mais likes e mais seguidores eu ganho. Gente, o Instituto Paula Lima está aberto, funcionando normalmente em Madureira e Vilar dos Teles e, em breve, também na Barra da Tijuca.”
O Disque Denúncia divulgou um cartaz com informações sobre a suspeita e pede a colaboração da população para ajudar a localizar seu paradeiro. As denúncias podem ser feitas pelo telefone (021) 2253-1177 ou 0300-253-1177, pelo WhatsApp (021) 2253-1177 ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ.



