Pela primeira vez, o Brasil assumiu a liderança global como o principal importador de automóveis da China no acumulado de janeiro a maio de 2025. Segundo o Ranking das Exportações Chinesas, o país importou US$ 5,2 bilhões em automóveis no período, sendo US$ 4,5 bilhões em veículos eletrificados. No mesmo período de 2024, o Brasil havia comprado US$ 2,1 bilhões e ocupava a sexta posição.
Brasil supera Rússia e Bélgica na importação de veículos chineses
Os dados da alfândega chinesa consolidados nos primeiros cinco meses do ano mostram o Brasil à frente de países que historicamente lideravam as importações. A Rússia aparece em segundo lugar, com compras de US$ 5 bilhões. A Bélgica vem em terceiro, com US$ 3,8 bilhões, seguida pelo Reino Unido (US$ 3,8 bilhões) e pela Austrália (US$ 3 bilhões).
Já segundo números do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), considerando todo o primeiro semestre, as importações de veículos eletrificados chineses pelo Brasil somaram US$ 5,35 bilhões. As compras de automóveis chineses responderam por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou do país asiático, calcula o CEBC.
Importações de veículos eletrificados disparam
As importações de carros híbridos plug-in dobraram, alcançando US$ 2,79 bilhões, enquanto as de veículos elétricos praticamente quadruplicaram, chegando a cerca de US$ 2 bilhões. Os carros híbridos, que ocupavam a 25ª posição na pauta de importações no primeiro semestre de 2024, passaram para o sexto lugar em 2025, com um aumento de 239% no valor importado.
As compras das três categorias (elétricos, híbridos e híbridos plug-in) somaram o dobro das importações gerais do Brasil vindas da França (US$ 2,6 bilhões), por exemplo. Desde março, as compras desses veículos avançaram de forma ininterrupta mês a mês, segundo o CEBC.
Antecipação de embarques e tarifas impulsionam resultado
De acordo com análise do CEBC, esse desempenho reflete a estratégia dos importadores brasileiros de antecipar embarques antes da elevação gradual das tarifas sobre veículos eletrificados. As alíquotas passaram a 35% no início de julho de 2025, ante taxas que variavam entre 25% e 30% para veículos elétricos e híbridos.
Além disso, barreiras tarifárias elevadas impostas por mercados desenvolvidos, como Estados Unidos e União Europeia, contra os elétricos chineses fizeram as montadoras redirecionarem o foco de suas exportações para o mercado brasileiro. Esse movimento contribuiu para o aumento expressivo das importações.
Perspectivas para o segundo semestre
Com a definição da nova alíquota de importação, a entrada de veículos chineses deverá se acomodar no segundo semestre. No entanto, os volumes anuais podem permanecer em patamar semelhante ou até aumentar, o que significa que os carros chineses devem continuar ocupando um espaço importante no mercado brasileiro.



