Enquanto o mundo acompanha a Copa do Mundo de 2026, em Itu (SP) a bola rola de forma diferente: estudantes do Ensino Médio da rede Sesi-SP participaram da seletiva estadual da RoboCup Junior Soccer Infrared, competição em que robôs autônomos substituem os jogadores.
Competição tecnológica
Ao todo, 52 estudantes de 13 escolas disputaram as partidas no Sesi Itu. O objetivo vai além dos gols: as equipes aplicam conhecimentos de programação, eletrônica, mecânica e engenharia para desenvolver máquinas que localizam a bola, atacam, defendem e traçam estratégias sem interferência humana. Diferente de competições remotas, os robôs entram em campo totalmente autônomos. Antes do jogo, os alunos programam tudo; após o apito inicial, as máquinas decidem sozinhas.
A bola emite sinais infravermelhos invisíveis aos olhos humanos. Equipados com sensores, bússolas eletrônicas e sistemas de movimentação em 360 graus, os robôs identificam a posição da bola e se deslocam independentemente.
Desenvolvimento de habilidades
Segundo a coordenadora técnico-educacional do Sesi, Daniele Hoffmann Bonicio, a competição desenvolve habilidades técnicas e comportamentais. "Os alunos desenvolvem soft skills e hard skills, trabalham em equipe e enfrentam desafios reais representados pelo futebol, ainda mais em época de Copa. É gratificante e estimulante", afirma.
O torneio também incentiva a colaboração entre equipes de diferentes cidades. "É uma competição, mas existe uma comunidade robótica por trás. É bacana ver alunos de equipes diferentes trocando experiências", destaca o técnico Antoni Frigério.
Aprendizado além do resultado
O estudante Bruno Proença Silva ressalta que o aprendizado é tão importante quanto o resultado. "Todo o mês de preparação e até durante a competição o robô sofre mudanças visando melhor desempenho. Mas o processo fala mais: amizades, conexões e conhecimento adquirido são surreais", conta.
A seletiva reuniu equipes veteranas e iniciantes de unidades do Sesi-SP, incluindo Sorocaba, Votorantim, Santos, Ribeirão Preto, Americana, Botucatu, Jaú e Guarulhos.
Robô humanoide como atração
Além das disputas, o público conheceu o Unitree G1, robô humanoide adquirido pelo Sesi-SP como ferramenta pedagógica. Com 1,30 m de altura, ele identifica e reproduz movimentos humanos, sendo usado em atividades educacionais e demonstrações.
Os vencedores da seletiva garantem vaga na etapa nacional da RoboCup, em novembro, em João Pessoa (PB).



