Quem utiliza rodovias com pedágio eletrônico já deve ter visto relatos de motoristas que afirmam ter sido cobrados como se estivessem dirigindo um caminhão, mesmo conduzindo um carro de passeio ou um automóvel com reboque. Mas por que esse tipo de erro pode acontecer? Segundo executivos da estadunidense TransCore e da brasileira Pumatronix, empresas que desenvolvem tecnologias para sistemas de free flow, a identificação de um veículo é mais complexa do que simplesmente fotografar a placa. Por isso, novas soluções combinam inteligência artificial, câmeras e sensores para tornar a classificação mais precisa.
‘Só’ ler a placa não basta
A leitura automática da placa continua sendo uma das principais ferramentas, mas, sozinha, ela nem sempre é suficiente. Durante conversa com jornalistas, os executivos citaram situações em que veículos podem ser classificados de forma incorreta, como automóveis com carretinhas ou combinações de veículos que apresentam características semelhantes às de categorias maiores. Eles também mencionaram casos de placas duplicadas, veículos sem placa ou caminhões trafegando muito próximos um do outro, o que pode dificultar a identificação.
Tecnologia cria uma “segunda checagem”
Para reduzir essas situações, a solução apresentada pelas empresas combina dois tipos de sensores. O primeiro utiliza câmeras e inteligência artificial para contar eixos e reconhecer características físicas do veículo por meio de redes neurais. O segundo é um sensor lidar, capaz de gerar uma leitura tridimensional da passagem do veículo. Com a combinação das duas tecnologias, o sistema consegue identificar altura, largura, comprimento, volume e o formato do veículo, além de verificar se dois veículos estão passando muito próximos um do outro.
Eixo suspenso também faz diferença
No caso dos caminhões, a tecnologia também consegue identificar se o veículo está trafegando com eixo suspenso. Segundo os executivos, duas câmeras instaladas em posições diagonais fazem uma dupla checagem para verificar essa condição, informação que pode ser utilizada na classificação do veículo e comparada com outros registros, como o manifesto eletrônico de carga.
Objetivo é reduzir erros de classificação
De acordo com as empresas, a proposta não é substituir completamente a leitura da placa, mas acrescentar novas camadas de validação. Assim, em vez de depender apenas do número registrado na placa, o sistema também considera as características físicas do veículo para confirmar sua categoria. A expectativa é reduzir situações em que um automóvel seja enquadrado como caminhão ou que veículos de categorias diferentes recebam cobranças incompatíveis com sua configuração.



