O oftalmologista francês Francis Ferrari desenvolveu um procedimento inovador e controverso que promete mudar permanentemente a cor dos olhos. Chamado de Ceratopigmentação Anular Assistida por Laser de Femtossegundo (FLAAK), o método já atraiu mais de 2.500 pessoas à clínica New Eyes Paris, em Paris, segundo reportagem do The New York Times.
Como funciona o procedimento FLAAK?
A técnica utiliza um laser de femtossegundo para criar um túnel anular na córnea, por onde são injetados pigmentos específicos para alterar a cor dos olhos. O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial e dura cerca de 30 minutos por olho. Diferente de implantes ou tatuagens oculares, a FLAAK atua na camada média da córnea, o que teoricamente reduziria alguns riscos, mas ainda assim não é isenta de complicações.
Riscos e controvérsias
Apesar de ser apresentado como seguro por Ferrari, o FLAAK não possui aprovação da FDA (agência reguladora dos EUA) e é alvo de críticas entre oftalmologistas. Os principais riscos incluem infecções, cicatrizes na córnea, inflamação crônica, glaucoma e até perda de visão. A Sociedade Brasileira de Oftalmologia alerta que qualquer intervenção na córnea com finalidade estética deve ser vista com cautela, pois os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos.
Quem busca o procedimento?
Segundo a clínica New Eyes Paris, a demanda vem de pessoas insatisfeitas com a cor natural dos olhos, especialmente aquelas que desejam tons claros, como verde, azul ou cinza. A paciente Ayşegül Kolvert, que mudou seus olhos de castanho para verde, é um exemplo divulgado pela clínica. Ela afirmou: "Sempre sonhei em ter olhos claros. Agora me sinto mais confiante." No entanto, especialistas alertam que a motivação estética não justifica os riscos envolvidos.
Impacto e regulação
O procedimento ainda não é regulamentado em muitos países, incluindo o Brasil. A comunidade médica internacional pede mais estudos clínicos antes que a técnica seja amplamente adotada. Enquanto isso, Ferrari continua a realizar o FLAAK em sua clínica parisiense, atraindo pacientes globais dispostos a pagar pelo sonho de mudar a cor dos olhos.



