Um estudo apresentado na Conferência Europeia de Genética Humana revelou variantes genéticas raras que podem explicar por que algumas pessoas vivem mais anos livres de doenças crônicas. Pesquisadores analisaram famílias longevas e identificaram 12 variantes genéticas associadas à redução da resposta inflamatória, incluindo uma no gene CGAS.
Descoberta em famílias longevas
A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Bolonha, examinou o DNA de indivíduos com mais de 90 anos e seus descendentes. Foram encontradas variantes raras que parecem modular a inflamação, um dos principais fatores do envelhecimento. "Essas variantes podem proteger contra doenças relacionadas à idade", explicou o Dr. Claudio Franceschi, coordenador do estudo.
Gene CGAS e inflamação
Uma das variantes mais promissoras está no gene CGAS, que regula a produção de moléculas inflamatórias. Em testes laboratoriais, a variante reduziu a ativação da via inflamatória em até 30%. Segundo os pesquisadores, isso pode retardar o desenvolvimento de condições como diabetes, doenças cardiovasculares e demência.
Próximos passos
Os cientistas planejam realizar análises in vivo em killifish, um modelo animal de envelhecimento rápido, para confirmar o impacto das variantes na longevidade. "Se os resultados forem positivos, poderemos abrir caminho para terapias que imitem esses efeitos protetores", afirmou Franceschi.
Implicações para a saúde pública
As descobertas podem levar a novos tratamentos para promover o envelhecimento saudável. Cerca de 1 em cada 10 mil pessoas carrega essas variantes, o que as torna alvos para intervenções farmacológicas. O estudo reforça a importância de investigar populações excepcionais para entender os mecanismos biológicos do envelhecimento.



