Uma nova pesquisa publicada na revista Nature revela a descoberta de 396 geoglifos no estado do Acre, estruturas de terraplanagem construídas pela antiga civilização Aquiry. Utilizando tecnologia de sensoriamento remoto a laser (LIDAR), os cientistas conseguiram mapear a região e identificar essas construções que estavam ocultas sob a densa floresta amazônica.
Descoberta triplica o número de geoglifos conhecidos
Antes deste estudo, apenas 36 geoglifos eram conhecidos na Amazônia brasileira. Com a nova descoberta, o total salta para 432, sendo a grande maioria no Acre. Os geoglifos são grandes obras de terraplanagem, muitas vezes geométricas, que indicam a presença de sociedades complexas antes da chegada dos europeus.
Segundo os pesquisadores liderados por Pärssinen, a civilização Aquiry ocupou a região entre os séculos I e XV d.C. e chegou a ter uma população estimada em até 3 milhões de habitantes. Essa sociedade construía os geoglifos para fins cerimoniais, defensivos ou de demarcação territorial.
Tecnologia LIDAR revoluciona a arqueologia amazônica
O LIDAR é uma técnica que utiliza pulsos de laser para criar mapas topológicos detalhados do terreno, mesmo sob a vegetação densa. Isso permite aos arqueólogos identificar vestígios de ocupação humana sem a necessidade de desmatamento. No Acre, o método revelou não apenas os geoglifos, mas também estruturas residenciais e sistema viário.
Os geoglifos recém-descobertos variam em tamanho e forma, incluindo círculos, quadrados e linhas retas. Muitos estão interligados por caminhos, sugerindo uma rede de assentamentos organizados. A pesquisa indica que a civilização Aquiry era uma das mais populosas da Amazônia pré-colombiana.
Impacto na compreensão da história amazônica
Essa descoberta desafia a visão tradicional de que a Amazônia era uma floresta quase intocada antes da colonização. Na verdade, a região abrigava sociedades complexas que modificavam o ambiente de forma sustentável. Os geoglifos são evidências de engenharia avançada e organização social.
Os pesquisadores alertam que muitas dessas estruturas estão ameaçadas pelo desmatamento e pela exploração agrícola. A preservação desses sítios arqueológicos é crucial para entender a história dos povos indígenas americanos.
O estudo foi realizado por uma equipe internacional, incluindo cientistas da Finlândia, Brasil e Estados Unidos. As imagens de LIDAR foram processadas para criar mapas tridimensionais que revelam detalhes nunca antes vistos.



