A Polícia Civil do Piauí (PCPI) investiga a morte de Maury Santos Alves, de 29 anos, ocorrida no dia 22 de julho, cinco dias após um incêndio em uma residência localizada no município de Dirceu Arcoverde, na região Sul do estado. A família da vítima suspeita que o fogo tenha sido criminosamente provocado, mas o delegado responsável pelo caso, José Wellington, afirma que ainda não há elementos concretos para sustentar essa tese.
Incêndio ocorreu durante a madrugada
O incêndio começou por volta das 2h da madrugada do dia 17 de julho. Na ocasião, Maury e outras quatro pessoas dormiam na casa. O grupo havia passado a noite consumindo bebidas alcoólicas, de acordo com investigações preliminares. Maury estava em um dos quartos acompanhado de sua namorada.
A jovem conseguiu escapar ao perceber o fogo, mas ao notar que o companheiro não havia saído, retornou ao imóvel em chamas para resgatá-lo. Ela conseguiu retirá-lo da casa, mas ele já apresentava queimaduras graves por todo o corpo. Maury foi socorrido e transferido para Teresina, onde permaneceu internado até falecer cinco dias depois, em decorrência das lesões.
O proprietário da casa dormia em um sofá na sala, enquanto outras duas pessoas estavam em um colchão próximo. Segundo relatos colhidos pela polícia, todos acordaram quando o fogo já se alastrava e abandonaram o imóvel rapidamente.
Delegado explica andamento das investigações
Em entrevista ao g1, o delegado José Wellington afirmou que a principal hipótese considerada até o momento é a de acidente. "Não descartamos ainda um ato proposital, mas efetivamente não temos elementos para afirmar isso. A hipótese que ainda prevalece é de acidente, mas ainda está cedo para firmar uma tese definitiva sobre o ocorrido", declarou.
Segundo o delegado, os depoimentos das testemunhas indicam que todos dormiam quando o incêndio começou, o que dificulta apontar uma causa ou responsável. "Existe essa falação por parte da família, mas o que vimos até agora está muito baseado em achismos. Nem mesmo a namorada da vítima viu o início do incêndio", acrescentou.
Família registra boletim de ocorrência e suspeita de crime
O pai de Maury registrou um boletim de ocorrência (BO) para formalizar a suspeita de que o filho pode ter sido vítima de um crime. No documento, a família alega que o incêndio teria sido provocado por alguém que estava no imóvel. No entanto, a Polícia Civil já havia sido comunicada do caso pela Polícia Militar e a perícia técnica já estava em curso antes mesmo do registro.
O delegado informou que a namorada da vítima foi ouvida, assim como outros ocupantes da casa. Até o momento, nenhum dos depoimentos trouxe informações que indiquem motivação ou autoria criminosa. "Quando se trata de uma agressão ou homicídio, um dos fatores procurados é a motivação. E não houve nada disso demonstrado até agora", explicou José Wellington.
Perícia apontará causa do fogo
A Polícia Civil ainda não sabe o que causou o incêndio. Entre as hipóteses técnicas consideradas estão o uso de líquido inflamável, curto-circuito, descarte de cigarro aceso ou vela deixada acesa. Nenhuma dessas possibilidades foi confirmada até o momento.
A perícia no local foi realizada e o laudo pericial é aguardado pela delegacia. O documento deve esclarecer como o fogo começou e se houve ou não ação criminosa. Enquanto isso, as diligências prosseguem para apurar todos os detalhes do caso.
A morte de Maury Santos Alves comoveu a comunidade de Dirceu Arcoverde, cidade com cerca de 6 mil habitantes. O caso segue sob investigação, e a Polícia Civil reforça que trabalha com todas as hipóteses até a conclusão dos exames periciais.



