A fintech Liqi, especializada em mercado de capitais, anunciou o desenvolvimento de um agente de inteligência artificial (IA) que já leu e processou 34 milhões de informes públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A ferramenta, batizada de Liqi AI Agent, tem como objetivo automatizar a análise de documentos financeiros, reduzindo o tempo de interpretação de dados e aumentando a eficiência de investidores e gestores.
Como funciona o agente de IA da Liqi
O Liqi AI Agent foi treinado com base em uma vasta base de dados de documentos públicos da CVM, incluindo demonstrações financeiras, fatos relevantes e comunicados de empresas listadas em bolsa. Segundo a empresa, o sistema é capaz de extrair informações relevantes, como indicadores financeiros, riscos e oportunidades, em segundos, tarefa que levaria horas ou dias para um analista humano.
De acordo com Rafael Izidoro, CEO da Liqi, a ideia surgiu da necessidade de democratizar o acesso a informações complexas do mercado financeiro. "Nosso objetivo é tornar a análise de dados financeiros mais acessível e rápida, permitindo que qualquer investidor, independentemente do porte, tome decisões mais informadas", afirmou Izidoro.
Impacto no mercado financeiro
A ferramenta já está sendo testada por clientes da Liqi, que relataram ganhos significativos de produtividade. Em um dos casos, um gestor de fundos conseguiu reduzir o tempo de análise de um relatório trimestral de 8 horas para apenas 15 minutos. A expectativa é que o Liqi AI Agent seja disponibilizado ao público em geral nos próximos meses, com um modelo de assinatura.
Especialistas apontam que o uso de IA no mercado de capitais deve crescer exponencialmente nos próximos anos. Um estudo da consultoria McKinsey estima que a automação de tarefas de análise financeira pode gerar uma economia de até US$ 15 bilhões anuais no setor globalmente. A Liqi, que já processa mais de R$ 1 bilhão em ativos sob custódia, espera se consolidar como referência em tecnologia para investimentos.
Desafios e regulação
Apesar dos benefícios, o uso de IA na análise de documentos financeiros levanta questões regulatórias. A CVM ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ferramenta, mas especialistas em direito digital alertam para a necessidade de transparência nos algoritmos e proteção de dados. A Liqi afirma que o agente de IA opera apenas com dados públicos e que todos os resultados são auditáveis.
"A tecnologia não substitui o julgamento humano, mas potencializa a capacidade de análise. Nosso sistema é uma ferramenta de apoio, não de decisão automática", explicou Izidoro. A fintech também está desenvolvendo mecanismos para evitar vieses nos algoritmos, como a inclusão de múltiplas fontes de dados e validação cruzada de informações.



