Dominância manual é construída pela prática, não genética, diz estudo
Dominância manual é construída pela prática, diz estudo

Um novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) desafia a visão tradicional sobre a dominância manual, sugerindo que a habilidade da mão dominante é resultado de prática ao longo da vida, e não algo inato. A pesquisa, conduzida por cientistas incluindo John Krakauer, da Universidade Johns Hopkins, indica que a preferência manual surge antes do nascimento, mas a dominância é construída pela interação com ferramentas e pelo aprendizado cultural.

Preferência inata, dominância adquirida

Os pesquisadores analisaram dados de estudos anteriores e realizaram experimentos com participantes destros e canhotos. Eles descobriram que, embora a preferência por uma mão já esteja presente no útero — bebês sugam o polegar direito ou esquerdo ainda na gestação —, a verdadeira dominância, ou seja, a maior habilidade e precisão com uma das mãos, se desenvolve com a prática repetida ao longo dos anos. “A lateralidade emerge da prática e da cultura, não de fatores genéticos fixos”, afirmou Krakauer.

Implicações para o desenvolvimento motor

O estudo tem implicações importantes para a compreensão do desenvolvimento motor humano. Se a dominância manual é construída, isso significa que intervenções precoces poderiam influenciar a lateralidade, especialmente em crianças que mostram pouca preferência manual. Segundo os autores, cerca de 10% da população é canhota, mas a taxa varia conforme a cultura e a época histórica, o que reforça o papel do ambiente.

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“A genética pode dar uma inclinação, mas é a prática que determina a maestria”, explicou Krakauer. A pesquisa utilizou tarefas como escrever, arremessar e usar ferramentas para medir a diferença de desempenho entre as mãos, concluindo que a prática deliberada é o principal fator.

Mudança de paradigma

Essa descoberta contraria a crença popular de que a dominância manual é puramente genética. Embora estudos anteriores já apontassem para uma base hereditária, o novo trabalho sugere que a genética apenas estabelece uma preferência inicial, enquanto a prática contínua solidifica a dominância. “Não nascemos destros ou canhotos; tornamo-nos”, resumiu o pesquisador.

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