O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou descontentamento com os ataques russos em Kiev, na Ucrânia, que deixaram nove mortos e mais de 60 feridos nesta quarta-feira, 24. Em publicação em sua rede social, Trump pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, que interrompa os bombardeios e conclua um acordo de paz. 'Não estou satisfeito com os ataques russos em Kiev. Desnecessários e em um momento péssimo', escreveu Trump, acrescentando: 'Vladimir, PARE! 5.000 soldados estão morrendo por semana. Vamos CONCLUIR o Acordo de Paz'.
Os bombardeios ocorreram após nova ameaça do governo Trump de abandonar as negociações de paz, caso a Ucrânia não aceite a proposta americana. A proposta, que favorece a Rússia, reconhece a Crimeia como território russo e congela as linhas de frente do combate. A postagem de Trump marca uma rara crítica direta a Putin, já que desde seu retorno à presidência ele direcionou a maioria dos comentários sobre a guerra ao presidente ucraniano Volodmir Zelenski.
O ataque russo foi o pior em um ano em Kiev, com mísseis atingindo áreas residenciais. Em resposta, Zelenski, que estava em viagem à África do Sul, declarou que é necessária mais pressão sobre a Rússia para alcançar a paz e se disse disposto a um cessar-fogo incondicional. 'Acreditamos que com maior pressão sobre a Federação Russa, seremos capazes de aproximar nossos interesses', afirmou, acrescentando que um cessar-fogo demonstraria 'boa vontade política' de todas as partes.
A Rússia não comentou os ataques nem as críticas de Trump. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que o comentário de Trump sobre a impossibilidade de a Ucrânia retomar a Crimeia está 'alinhado com a posição da Rússia'. A proposta americana, confirmada pelo vice-presidente JD Vance, prevê o congelamento das linhas de batalha, o reconhecimento da Crimeia como território russo e a proibição da Ucrânia de entrar na Otan.
Kiev insiste em não reconhecer a anexação da Crimeia, o que gerou novas críticas de Washington. Trump acusa Zelenski de prejudicar as negociações e prolongar o conflito. A pressão dos EUA tem frustrado Kiev e seus aliados europeus, preocupados com os termos favoráveis a Moscou. A Casa Branca sugeriu suspender sanções contra a Rússia como parte do acordo, mas não exerce a mesma pressão sobre o governo russo.



