O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em uma carta publicada na quarta-feira (9), com previsão de entrada em vigor em 1º de agosto. A medida, baseada na premissa equivocada de que os EUA têm déficit comercial com o Brasil — quando na verdade registram superávits desde 2009 —, faz parte de uma estratégia de pressão que Trump vem adotando desde o início de seu mandato, inclusive contra aliados.
Pesquisas de opinião indicam que as ameaças de Trump estão influenciando diretamente sua aprovação, que caiu após os anúncios. Ao mesmo tempo, a popularidade de alguns governos alvos das tarifas aumentou. Para Ian Bremmer, CEO da consultoria Eurasia, as taxas ao Brasil podem beneficiar politicamente o presidente Lula, assim como ocorreu com outros líderes.
Canadá e México enfrentaram ameaças de tarifas de 25% em janeiro, como pressão para combater imigração ilegal e tráfico de drogas. As medidas geraram reações patrióticas, como cafeterias canadenses renomeando o café 'Americano'. O Reino Unido, alvo de tarifas de 10% e taxas de 50% sobre aço e alumínio, conseguiu um acordo comercial com os EUA em junho, após reunião entre Trump e o primeiro-ministro Keir Starmer.
A União Europeia também foi ameaçada com tarifas de 10% em abril, ainda não implementadas. O presidente francês Emmanuel Macron e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lideraram as negociações. Uma pesquisa de fevereiro mostrou que 74% da população europeia acredita que seus países se beneficiam por pertencer ao bloco. As negociações entre EUA e União Europeia continuam, com previsão de início das tarifas para 1º de agosto, mesma data das taxas contra o Brasil.



