O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta quarta-feira (3) o segundo dia do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus acusados de participação em uma trama golpista. A sessão, realizada pela Primeira Turma, durou quase quatro horas e foi dedicada às sustentações orais das defesas do ex-presidente e de três generais.
O advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, afirmou que “não há uma única prova” que ligue seu cliente aos ataques de 8 de janeiro e negou que ele tenha atentado contra o estado democrático de direito. Vilardi também questionou a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, classificando-o como “não confiável” e argumentando que suas contradições justificam a anulação da colaboração.
A defesa de Bolsonaro sustentou que o ex-presidente não discutiu uma ruptura democrática com os comandantes militares e que, após uma reunião em dezembro de 2022 no Palácio da Alvorada, o assunto foi encerrado. Vilardi ainda criticou a forma como a Polícia Federal disponibilizou as provas, com mais de 70 terabytes de dados, e reclamou de cerceamento de defesa.
O advogado de Walter Souza Braga Netto, José Luís Oliveira Lima, contestou a delação de Mauro Cid, afirmando que ele “mente descaradamente” e que foi pressionado a delatar. Lima pediu a absolvição de Braga Netto, que está preso no Rio de Janeiro sob acusação de obstrução das investigações.
Já o defensor de Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), questionou a conduta do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, dizendo que um juiz não pode se tornar “protagonista do processo”. O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9), com o voto de Moraes.



