O rei Charles III e a rainha Camilla desembarcaram em Washington nesta segunda-feira, em visita oficial que ocorre em meio a fortes tensões entre o Reino Unido e o governo do presidente Donald Trump. A crise foi provocada pela recusa britânica em apoiar a ofensiva militar dos EUA contra o Irã, classificada pelo primeiro-ministro Keir Starmer como uma 'guerra de escolha'. A visita, que dura quatro dias, marca os 250 anos de relações diplomáticas entre os dois países.
Autoridades britânicas afirmam que a viagem não tem relação direta com a crise política, já que o monarca não atua em decisões de governo. No entanto, a visita é vista em Londres como uma tentativa indireta de amenizar o clima. A agenda simbólica inclui cerimônias, encontros públicos e celebrações para reforçar os laços históricos, sem abordar questões políticas.
Trump, que nos últimos meses atacou Starmer e criticou o poder militar britânico, sinalizou disposição para reduzir o tom. Em entrevista à BBC, ele elogiou o rei, chamando-o de 'homem fantástico'. A recepção ocorre sob forte esquema de segurança, após um ataque a tiros no jantar de correspondentes da Casa Branca no sábado, do qual Trump precisou sair às pressas.
Na terça-feira, Charles será recebido com honras militares e terá um encontro reservado com Trump no Salão Oval, considerado o momento mais sensível da visita. Autoridades britânicas dizem que não está prevista uma sessão de perguntas à imprensa, mas há preocupação com possíveis declarações imprevisíveis do presidente. Trump afirmou ao jornal Telegraph que Charles 'teria adotado uma postura diferente' em relação à guerra, em comparação com Starmer.
Outro ponto de tensão envolve as Ilhas Malvinas. Um relatório do Pentágono sugeriu que os EUA poderiam rever o apoio à soberania britânica sobre o território como resposta à postura de Londres no conflito com o Irã. A Argentina reivindica as ilhas, enquanto o governo britânico destaca que a população local já votou majoritariamente por permanecer sob domínio do Reino Unido.
Charles também deve discursar em sessão conjunta do Congresso na terça-feira, repetindo o gesto feito por sua mãe, a rainha Elizabeth II, em 1991. Assessores dizem que ele evitará temas do noticiário e focará na cooperação histórica entre os dois países, destacando parcerias em ciência, inovação, economia e defesa. À noite, o casal real participará de um banquete de Estado oferecido por Trump.



