O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o retorno à corte de oito investigações que envolvem políticos como Gilberto Kassab, Geddel Vieira Lima e Ricardo Salles. Os casos haviam sido enviados a instâncias inferiores após os investigados perderem o foro especial por deixarem cargos públicos, mas a mudança de entendimento do STF sobre o tema motivou a decisão de Moraes.
Entre os casos que voltam ao gabinete de Moraes estão os inquéritos contra o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que havia sido absolvido pela Justiça Eleitoral de São Paulo em ação por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa dois. A investigação original, baseada na delação de executivos da JBS, apontava suspeitas de recebimento de propina mensal de R$ 350 mil e pagamento de R$ 28 mil em troca de apoio político nas eleições de 2014. Kassab sempre negou as acusações.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima e seu irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, também são alvos de dois inquéritos que retornam ao STF: um sobre suposta 'rachadinha' no gabinete de Lúcio na Câmara e outro sobre lavagem de dinheiro por meio de negócios agropecuários. Já o caso do deputado Ricardo Salles envolve suspeitas de favorecimento ilegal a madeireiras durante o governo Jair Bolsonaro.
A decisão de Moraes também abrange uma notícia-crime apresentada pelo então ministro da Justiça Flávio Dino contra o ex-procurador Deltan Dallagnol, por supostos crimes contra a honra em declarações sobre ligação de Dino com o crime organizado. Além disso, retornam investigações contra o ex-deputado Aelton Freitas e o ex-senador Dalírio Beber.
O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou a medida nas redes sociais, afirmando que Moraes usa a Justiça como 'arma política' e 'instrumento de pressão' contra o presidente do PSD. Kassab, por sua vez, tem se aproximado de Bolsonaro nos últimos meses, intermediado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em busca de apoio para um projeto de lei de anistia aos presos pelos atos de 8 de janeiro.



