O Partido dos Trabalhadores (PT) oficializou neste domingo (2), em convenção nacional realizada na cidade de São Paulo, a chapa que disputará a Presidência da República em 2026 com Luiz Inácio Lula da Silva como candidato e Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente. O evento deu início formal à campanha de Lula pela recondução ao Palácio do Planalto, o que representaria seu quarto mandato na chefia do Poder Executivo federal.
Convenção reúne dirigentes e define estratégia
A convenção contou com a participação de membros da direção nacional do PT, de representantes do PSB e de outras siglas que devem apoiar a candidatura. Nos discursos, líderes partidários destacaram a importância da unidade do campo progressista diante do cenário eleitoral e da polarização política que marca o país desde a eleição de 2018.
O ato também serviu para aprovar as primeiras diretrizes da campanha, com foco na retomada do crescimento econômico, na geração de empregos, na defesa dos direitos trabalhistas e na ampliação dos programas de transferência de renda. O programa de governo deve ser detalhado ao longo das próximas semanas, com contribuições de movimentos sociais e especialistas.
A escolha de São Paulo como sede da convenção tem um simbolismo particular. O estado é o maior colégio eleitoral do país e, historicamente, um palco de disputas acirradas entre petistas e tucanos. A presença de Alckmin, um ex-tucano, na chapa representa a superação de antigas rivalidades e a construção de uma frente ampla em torno da candidatura.
Quarto mandato e o significado histórico
Lula ingressa na disputa como o único presidente brasileiro a tentar um quarto mandato desde a redemocratização. Ele já foi eleito em 2002 e 2006, cumprindo dois mandatos consecutivos, e voltou a vencer em 2022, quando derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição mais polarizada da história recente do país. Uma nova vitória em 2026 consolidaria de vez a trajetória do petista no comando da nação.
O ineditismo da candidatura, contudo, pode alimentar o discurso da oposição, que acusa o PT de tentar se perpetuar no poder. Os aliados rebatem essa tese, argumentando que a reeleição é um direito previsto na Constituição e que Lula segue sendo o principal nome da esquerda, com alta taxa de conhecimento da população e uma base de apoio que atravessa as classes sociais.
Do ponto de vista histórico, um quarto mandato presidencial só encontra paralelo em regimes de exceção, o que torna a disputa de 2026 ainda mais simbólica para o processo democrático brasileiro. O PT, ciente desse cenário, deve trabalhar com a narrativa de que a eleição representará a defesa da soberania popular e das instituições.
A aliança com Alckmin e o papel do PSB
A presença de Alckmin na chapa é vista como um trunfo para ampliar o diálogo com setores do centro político e do empresariado. Ex-governador de São Paulo pelo PSDB, Alckmin rompeu com o partido em 2022 para aceitar o convite de Lula, uma aliança que surpreendeu analistas e foi determinante para a vitória naquele ano.
No atual governo, Alckmin comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, onde atua como principal articulador da agenda de reindustrialização e do diálogo com o setor produtivo. Sua permanência na chapa é interpretada como uma garantia de continuidade dessas políticas, além de um aceno ao mercado financeiro e aos investidores estrangeiros.
O PSB, legenda de Alckmin, deve compor a coligação nacional com o PT e já negocia palanques estaduais para dar capilaridade à campanha. Nos estados onde a aliança for viável, a legenda deve indicar candidatos a governador e a senador, fortalecendo o palanque nacional da chapa.
Desafios e próximos passos
A campanha de Lula terá de enfrentar um cenário eleitoral complexo, com a polarização entre esquerda e direita se refletindo nas ruas e nas redes sociais. A equipe de comunicação do partido planeja uma estratégia ofensiva, com grande presença digital e comícios em capitais e cidades do interior.
Além do registro formal das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral, a campanha precisará articular as coligações estaduais, definir o plano de governo e se preparar para o horário eleitoral gratuito, cuja veiculação ocorre no segundo semestre do ano eleitoral. Esses prazos, estabelecidos pela legislação eleitoral, pautam o calendário daqui em diante.
Os principais temas da disputa devem incluir a economia, a segurança pública e a defesa da democracia. O governo petista vai destacar a queda da inflação, a geração de empregos e a recomposição das políticas sociais como conquistas a serem aprofundadas em um próximo mandato.
Repercussão imediata
A oficialização da chapa gerou repercussão imediata no meio político. Partidos de oposição divulgaram notas em que criticam a aliança e prometem intensificar o enfrentamento ao longo da campanha. Já os partidos aliados e movimentos sociais elogiaram a unidade e afirmaram que a candidatura representa uma barreira contra retrocessos.
Com a chapa formalizada, a campanha de Lula entra em nova fase, dedicada à arregimentação de apoios, à realização de eventos e à construção de palanques nos estados. A partir de agora, o foco se volta para as pesquisas de opinião, os debates e a busca pelo voto do eleitorado ainda indeciso.



