O Paquistão continuará mediando as negociações entre Irã e Estados Unidos, afirmou o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, neste domingo (12). A declaração ocorre após o vice-presidente americano, JD Vance, deixar Islamabad sem alcançar um acordo com Teerã para o fim da guerra. Vance afirmou ter apresentado a 'oferta final e melhor', enquanto o Irã classificou as reivindicações americanas como 'irracionais'.
Segundo comunicado do ministério, Dar e o chefe do Exército, Asim Munir, ajudaram a mediar diversas rodadas de 'negociações intensas e construtivas' entre os dois lados. O chanceler destacou que é 'imprescindível que as partes continuem a cumprir seu compromisso com o cessar-fogo', anunciado no dia 7 pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
As conversas, iniciadas no sábado em Islamabad, duraram 21 horas e foram o encontro de mais alto nível entre Teerã e Washington desde a Revolução Islâmica de 1979. Vance liderou as negociações junto com Steve Witkoff e Jared Kushner. O vice-presidente lamentou a ausência de um 'compromisso firme' por parte do Irã de renunciar às armas nucleares.
O Irã, por sua vez, afirmou que as 'exigências irracionais' dos EUA sobre o Estreito de Ormuz fizeram fracassar as negociações. Uma fonte não identificada informou ao site Axios que os desacordos incluíam a exigência iraniana de controlar o estreito e a recusa em abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido.
Apesar do fracasso, não houve retorno imediato das hostilidades. No entanto, persiste o receio de que um retorno aos combates possa elevar os preços mundiais da energia e prejudicar o transporte marítimo no Golfo. O Ministério da Energia da Arábia Saudita informou que seu principal oleoduto leste-oeste voltou a operar, e o Catar suspendeu algumas restrições à navegação.



