O ex-comandante do Exército, Júlio Cesar de Arruda, negou nesta quinta-feira ter impedido a prisão imediata das pessoas acampadas em frente ao Quartel-General do Exército após os ataques golpistas de 8 de janeiro. Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), Arruda afirmou que sua função era 'acalmar' a situação e que defendeu que a medida fosse realizada de maneira coordenada.
— Ali estava um clima de nervosismo, o senhor sabe bem disso. A minha função era acalmar. Então eu falei, isso aí tem que ser feito de maneira coordenada. Vamos fazer isso aí de forma coordenada. E foi feita de maneira coordenada — disse Arruda.
Na ocasião, o Exército colocou tanques blindados para impedir a entrada da Polícia Militar. Na noite do dia 8, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a prisão de todos que estavam no acampamento, mas a ordem só foi cumprida na manhã do dia 9. Para Arruda, se a operação ocorresse na noite do mesmo dia, poderia haver mortes.
O ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal, Fábio Augusto Vieira, afirmou que Arruda teria impedido a prisão ao dizer que a tropa do Exército era maior que o contingente de policiais. Questionado por Moraes, Arruda disse não se lembrar dessa declaração. Em outras três oportunidades, ele afirmou não se recordar do que foi perguntado.
Arruda também declarou desconhecer o motivo de sua exoneração pelo presidente Lula após 21 dias de governo. Ele sugeriu que a questão seja direcionada a quem o nomeou e exonerou. O ex-comandante foi demitido em 21 de janeiro de 2023, entre outros motivos, por resistir a revogar a nomeação do tenente-coronel Mauro Cid para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos.



