A corrida pelo governo do Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo com a entrada do ex-governador Anthony Garotinho na disputa. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada neste mês, o atual prefeito Eduardo Paes (PSD) lidera as intenções de voto, com 38% a 42%, mas a candidatura de Garotinho, que aparece com 10%, pode alterar o cenário e ameaçar a vitória no primeiro turno.
Pesquisa revela empate técnico entre Garotinho e Douglas Ruas
O levantamento mostra Garotinho empatado tecnicamente com Douglas Ruas (PL), que também registra 10% das intenções. Ambos estão numericamente no mesmo patamar, mas a presença do ex-governador traz um histórico de campanhas agressivas e forte apelo popular, especialmente em regiões do interior e na Baixada Fluminense. Paes, por sua vez, mantém uma dianteira confortável, mas a fragmentação da oposição pode ser um fator decisivo.
Garotinho, que já governou o estado entre 1999 e 2002, retorna à política fluminense após um período de afastamento. Sua entrada é vista como um movimento que pode polarizar a disputa e reduzir a vantagem de Paes, que até então era considerado favorito absoluto. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 24 de julho, com 1.500 eleitores, e tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.
Estratégia de Garotinho pode desgastar imagem de Paes
Analistas políticos apontam que Garotinho deve adotar uma campanha de ataque, focando em críticas à gestão de Paes na prefeitura do Rio. Nos bastidores, aliados do ex-governador já sinalizam que explorarão temas como segurança pública e mobilidade urbana, áreas em que a administração municipal tem enfrentado desafios. Além disso, a experiência de Garotinho em campanhas anteriores, incluindo a de 2014 quando foi candidato ao Senado, sugere que ele pode mobilizar um eleitorado fiel.
Para Paes, a principal preocupação é evitar que a disputa vá para o segundo turno. Em 2022, ele foi reeleito prefeito no primeiro turno com mais de 60% dos votos, mas o cenário estadual é diferente. Se Garotinho conseguir consolidar seus 10% e atrair parte dos votos de outros candidatos, Paes pode ter dificuldades para alcançar a maioria absoluta necessária para vencer já em outubro.
Impacto na coalizão de apoio a Paes
Outro efeito da entrada de Garotinho é o possível realinhamento de alianças. Partidos de centro e direita, que até então flertavam com a candidatura de Paes, podem reavaliar suas posições. O ex-governador tem trânsito em setores evangélicos e movimentos sociais, o que pode atrair apoios que antes estavam dispersos. A pesquisa também indica que a rejeição a Garotinho ainda é alta, mas sua capacidade de mobilização não pode ser subestimada.
O cenário atual reforça a importância das próximas semanas de campanha. A eleição para o governo do Rio promete ser uma das mais disputadas do país, com a sombra de Garotinho pairando sobre a candidatura de Paes. Resta saber se o ex-governador conseguirá capitalizar seu capital político ou se seu retorno será apenas um obstáculo temporário para o favorito.



