René González, ex-agente de inteligência cubano e cofundador do grupo 'Brothers to the Rescue', ofereceu sua versão dos fatos sobre a derrubada de dois aviões da organização em 1996, que levou à recente acusação nos Estados Unidos contra o ex-presidente cubano Raúl Castro.
Em entrevista à AFP em sua casa em Havana, González afirmou que, por trás da fachada humanitária de resgate de balseiros, o grupo possuía planos violentos e não divulgados contra Cuba. Ele recordou uma incursão aérea sobre Havana em 1994, onde o grupo lançou sinalizadores, violando o espaço aéreo cubano.
González, que foi piloto e espião infiltrado nos Estados Unidos entre 1991 e 1998, disse que a radicalização começou em meados dos anos 1990. Ele ponderou que nem todos os integrantes compartilhavam essas intenções, citando Carlos Costa e Mario de la Peña, que queriam apenas fazer horas de voo e salvar balseiros.
Sobre o dia 24 de fevereiro de 1996, quando caças MiG cubanos derrubaram duas aeronaves civis, matando quatro pessoas, González disse que foi um choque. Como espião, foram dias difíceis, transmitindo informações e recebendo orientações de Havana.
O ex-espião vê a acusação contra Castro como uma estratégia política da administração Trump, impulsionada por setores do exílio anticastrista. Ele alertou que alguns grupos sonham com uma confrontação direta entre os dois países, o que seria uma tragédia para Cuba e para os Estados Unidos.



