O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de uma apuração preliminar sobre emendas parlamentares enviadas por deputados bolsonaristas a uma ONG ligada à produtora do filme 'Dark Horse', que narra a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação busca verificar possível descumprimento da decisão do STF que exige transparência e rastreabilidade nos repasses de emendas.
As emendas, no valor total de R$ 2,6 milhões, foram destinadas em 2024 pelos deputados Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MT) a uma ONG presidida pela sócia da produtora do filme. Dino já havia solicitado informações aos parlamentares sobre os repasses, e agora analisará os dados para verificar irregularidades.
A deputada Tabata Amaral (PSB) foi quem apresentou ao STF a contestação sobre os repasses, argumentando possível desvio de finalidade. O deputado pastor Henrique Vieira (PSOL) também apontou suspeitas de direcionamento irregular de recursos públicos para a produtora do filme.
Na quinta-feira, Tabata voltou a acionar o Supremo, citando reportagem do site Intercept Brasil que revelou áudios e mensagens do senador Flávio Bolsonaro cobrando recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme. Segundo a publicação, documentos indicam transferências de R$ 61 milhões de um total previsto de R$ 134 milhões para o financiamento da produção.
Para a deputada, os repasses de Vorcaro 'no mínimo reforçam a opacidade do financiamento do referido projeto, bem como a verossimilhança de direcionamento de recursos públicos, por meio de emendas parlamentares', para custeio do filme. O caso segue em análise no STF.



