Cristina Kirchner sobrevive a ataque a tiros em meio a julgamento por corrupção
Cristina Kirchner sobrevive a ataque a tiros em meio a julgamento por corrupção

A vice-presidente argentina, Cristina Kirchner, de 69 anos, escapou ilesa de um ataque a tiros na noite de quinta-feira, quando um homem apontou uma arma contra seu rosto em frente à sua residência no bairro da Recoleta, em Buenos Aires. O agressor, identificado como brasileiro, foi detido. O incidente ocorre na reta final do julgamento da ex-presidente por suposta corrupção, no qual o Ministério Público pediu 12 anos de prisão e inabilitação política perpétua.

O presidente Alberto Fernández classificou o ataque como 'o mais grave desde a restauração democrática de 1983'. Cristina Kirchner, que também preside o Senado, tem se mostrado desafiadora diante das acusações, afirmando que a Justiça busca bani-la e perseguir o peronismo. Seus seguidores se reuniram em frente à sua casa, e foi entre essa multidão que o agressor se aproximou.

Cristina Kirchner foi presidente da Argentina entre 2007 e 2015 e é viúva do ex-presidente Néstor Kirchner, com quem formou o chamado 'casal K'. Ambos foram militantes peronistas desde a universidade e foram detidos por 17 dias em 1976, pouco antes do golpe militar. Após a ditadura, construíram carreira política na província de Santa Cruz, onde Cristina foi deputada e senadora.

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Seu governo foi marcado por políticas protecionistas, programas sociais e confrontos com setores poderosos, como fazendeiros e grandes meios de comunicação. Também aprovou leis pioneiras, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a identidade de gênero. Como presidente do Senado, apoiou a legalização do aborto em 2020. Cristina mantém relações próximas com líderes de esquerda da região, como Fidel Castro e Hugo Chávez, e com o Papa Francisco.

Apesar de gozar de privilégios parlamentares que a protegem de uma eventual condenação, Cristina ainda enfrenta cinco processos judiciais. O ataque desta semana reacendeu o clima de polarização política na Argentina, com apoiadores e críticos divididos sobre o caso.

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