O chefe de gabinete do presidente argentino Javier Milei, Manuel Adorni, compareceu ao Congresso nesta quarta-feira (29) pela primeira vez desde que suspeitas de enriquecimento ilícito o tornaram o centro do maior escândalo do governo ultraliberal. A presença, exigida pela Constituição argentina mensalmente, ocorreu após meses de atraso, transformando a sessão em um interrogatório sobre viagens de luxo e compras de imóveis.
Adorni é o membro do gabinete mais rejeitado pelos argentinos, com 68% de avaliação negativa, segundo pesquisa da Universidade de San Andrés. O caso começou quando sua esposa, Betina Angeletti, viajou a Nova York com a comitiva presidencial sem função oficial. O ministro justificou que ela o acompanha como 'companheira'. Outras revelações incluem uma viagem de jato privado a Punta del Este, uma viagem familiar a Aruba (custo estimado de US$ 14 mil a US$ 15 mil) e a compra de dois imóveis em 2024 e 2025: uma casa para a esposa em um condomínio a 80 km de Buenos Aires e um apartamento de US$ 230 mil em Caballito.
Os gastos contrastam com o salário atual de US$ 2.500 por mês e com o passado recente de Adorni, que em 2023 pagou um processo judicial de US$ 500 em 12 parcelas. Apesar do escândalo, Milei manteve o ministro no cargo, ao contrário do ex-secretário Carlos Frugoni, afastado por caso similar. O presidente assistiu à exposição de Adorni de um balcão do plenário e discutiu com opositores, gritando 'Vocês são os assassinos'.
O discurso do ministro seguiu a cartilha do governo, com elogios à responsabilidade fiscal e cortes na máquina pública, interrompidos por palmas ao atacar governos anteriores. A oposição o recebeu com gritos de 'deslomado', referência à sua justificativa de ter trabalhado muito em Nova York. Adorni se antecipou às críticas, mas não apresentou explicações detalhadas sobre as inconsistências patrimoniais.



