A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi rejeitada pelo Senado em uma votação histórica. Messias obteve apenas 34 votos favoráveis, sete a menos que os 41 necessários, enquanto 42 senadores votaram contra. A derrota é considerada a maior imposta a um governo desde Floriano Peixoto, em 1894.
A articulação para barrar Messias foi liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Alcolumbre passou os últimos dias pressionando senadores do Centrão e independentes, argumentando que a rejeição abriria caminho para pautar pedidos de impeachment de ministros do STF, que somam 97 processos engavetados.
Flávio Bolsonaro participou de reuniões com grupos de senadores, incluindo um café da manhã com o bloco Vanguarda, onde defendeu que a aprovação de Messias politizaria ainda mais o STF. Ele também acenou com a possibilidade de indicar um novo ministro caso vença as eleições de outubro, o que poderia alterar a correlação de forças no tribunal.
Alcolumbre e Flávio mantiveram um pacto de silêncio sobre a estratégia, orientando aliados a não revelar detalhes das conversas. A articulação contou ainda com o apoio do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e de senadores como Sergio Moro (PL-PR), que criticaram a indicação em ano eleitoral.
O placar surpreendeu até os aliados mais pessimistas do governo Lula. Antes da votação, Alcolumbre sussurrou ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), que Messias perderia por oito votos — diferença que se confirmou. A derrota é vista como um revés significativo para o Planalto.



