O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, subiu o tom neste sábado (1º) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em convenção estadual do partido em Brasília, Caiado afirmou que os dois adversários estão fugindo dos debates presidenciais e criticou a condução da política externa brasileira pela atual gestão.
Debates e a briga de esconde-esconde
Durante o evento que oficializou a candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao governo do Distrito Federal, Caiado disse que Lula e Flávio evitam o confronto de ideias. Lula declarou na última quinta-feira (30) que não irá aos debates “para ouvir bobagem”. Já a campanha de Flávio, segundo bastidores, condiciona a participação ao comparecimento do petista.
“Por que eles não vão para o debate? O debate está marcado, está certo? Adiou de novo, o debate foi adiado, porque o Lula disse que não tinha como ir. Aí o outro fala, 'se o Lula não for, eu não vou'. Então, cada um está brincando de esconde-esconde com o outro. E ninguém quer ir para o debate”, provocou Caiado, cercado por apoiadores.
O pré-candidato do PSD também questionou os projetos dos adversários: “Qual é o projeto estruturante desse governo que está aí há 20 anos? O outro não tem nada a apresentar, nunca governou. Vai aprender a governar na cadeira do presidente?”, indagou.
Críticas à política externa e à polarização
Caiado voltou a atacar a gestão de Lula nas relações internacionais e afirmou que o atual presidente e Flávio Bolsonaro prejudicam o país ao se envolverem em disputas irrelevantes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Ninguém aguenta essa briga inútil dessa polarização. Isso é algo que está prejudicando, está atrapalhando. Você vem e briga com os Estados Unidos. Agora mesmo Kassab e eu estávamos em Santa Catarina, o terceiro estado mais penalizado por essa briga. Daqui a pouco arruma uma briga com o Paraguai, daqui a pouco se desentende com a Argentina”, declarou.
Para Caiado, o foco deveria estar em questões internas: “Então, fica o Brasil, neste momento, em vez de discutir o problema da educação do filho aqui, que deseja ter uma boa escola, fica discutindo o Trump, a dentadura do Trump”.
Pesquisa Quaest em Goiás
Enquanto Caiado busca projetar força nacional, levantamento da Quaest divulgado recentemente mostra o ex-governador numericamente à frente em seu estado de origem. No cenário estimulado para o primeiro turno, Caiado aparece com 33% das intenções de voto, contra 27% de Flávio Bolsonaro. O resultado reforça a base eleitoral do candidato do PSD no Centro-Oeste.
“Eu tenho 40 anos de vida pública”
O pré-candidato também se apresentou como opção mais competitiva que Flávio Bolsonaro para um eventual segundo turno. “Eu tenho 40 anos de vida pública e vocês nunca me viram envolvido em rachadinho, petrolão, mensalão, INSS, enriquecimento ilícito, master. Então, cada um responde pelos seus atos”, afirmou, citando escândalos políticos dos quais nunca fez parte.
Caiado disse ainda que chegará à etapa decisiva da eleição sem precisar “se explicar” sobre assuntos polêmicos, diferentemente do senador fluminense. “Cada um responde pelos seus atos”, repetiu.
Convenção do PSD no Distrito Federal
As declarações foram dadas durante a convenção estadual do PSD que homologou a candidatura de José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti. Caiado estava acompanhado do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, que será seu vice na chapa presidencial. O evento ocorreu em Brasília e reuniu lideranças locais e nacionais da legenda.
Com a aliança com Kassab, Caiado busca ampliar o tempo de televisão e o alcance da pré-campanha, enquanto enfrenta o desafio de se consolidar como nome da terceira via diante da polarização entre Lula e o bolsonarismo.



