Em uma quebra de posição histórica, a Alemanha criticou publicamente Israel durante a nova ofensiva na Faixa de Gaza. O chanceler Friedrich Merz expressou desaprovação aos ataques israelenses, uma rara divergência na política alemã de apoio incondicional a Israel desde a Segunda Guerra Mundial.
Em declaração na terça-feira durante viagem oficial à Finlândia, Merz afirmou que os ataques militares israelenses em Gaza não apresentam mais lógica para combater o terror. 'O que está acontecendo atualmente não é mais compreensível', disse o chanceler, posicionando a Alemanha entre os países críticos à abordagem do governo israelense.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, também criticou o bloqueio a insumos básicos em Gaza, classificando-o como inaceitável. Ele destacou que o compromisso da Alemanha com a segurança de Israel não deve ser instrumentalizado para a guerra em Gaza.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou como 'abominável' um ataque israelense a uma escola usada como abrigo para deslocados, que matou cerca de 30 pessoas. A mudança de tom de Merz ecoou na União Europeia, com líderes condenando abertamente as ações de Israel.
A crítica alemã ocorre em meio ao agravamento da crise humanitária em Gaza, com bloqueio à entrada de ajuda e cenas caóticas na distribuição de alimentos. A tentativa de distribuição via Fundação Humanitária de Gaza resultou em disparos israelenses, com ao menos 48 feridos e um morto, segundo autoridades palestinas e da ONU.



