Os advogados de Jair Bolsonaro e de outros réus investigados por suposta trama golpista se manifestaram nesta quarta-feira (3) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles negaram a existência de provas contra seus clientes e criticaram a delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.
Celso Vilardi, defensor de Bolsonaro, afirmou que a delação deveria ser anulada. Segundo ele, a proposta de validade parcial do acordo é algo que não existe em nenhum lugar do mundo. Vilardi também disse que o ex-presidente foi vinculado aos fatos sem provas, referindo-se aos ataques de 8 de janeiro de 2023 e ao plano de assassinato de autoridades.
O advogado de Walter Braga Netto, José Luís de Oliveira Lima, questionou a demora de 15 meses para Cid relatar a suposta entrega de dinheiro em espécie para financiar o golpe. Ele classificou como escândalo o fato de o delator ter esquecido esse detalhe por tanto tempo. A defesa também apontou ausência de provas de corroboração e indícios de coação contra Cid.
Os advogados de Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira refutaram qualquer ligação de seus clientes com intenções golpistas. Matheus Milanez, defensor de Heleno, criticou a postura do ministro relator Alexandre de Moraes, afirmando que ele fez 302 perguntas durante a instrução, contra 59 do procurador-geral da República, indicando uma postura acusatória.
O julgamento deve durar até 12 de setembro, com o voto inaugural previsto para 9 de setembro. Após a sessão, Paulo Amador da Cunha Bueno, também advogado de Bolsonaro, disse confiar na absolvição do ex-presidente se houver um julgamento técnico, e não político.



