O ex-presidente Jair Bolsonaro escreveu uma carta na qual indica o filho, senador Flávio Bolsonaro, como seu sucessor político. O documento segue o mesmo roteiro da carta escrita por Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando o petista estava preso em Curitiba e apontou Fernando Haddad como candidato à Presidência da República.
Semelhanças entre as cartas
Ambas as cartas foram redigidas em momentos de impedimento político dos líderes. Lula, condenado e encarcerado, não podia concorrer; Bolsonaro, inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também está impossibilitado de disputar eleições. Nos dois documentos, os ex-presidentes afirmam que os escolhidos serão seus porta-vozes e darão continuidade aos projetos políticos que representam.
O título da carta de Bolsonaro é idêntico ao utilizado por Lula: “Carta ao povo brasileiro”. A coincidência foi apontada por aliados de ambos os lados como uma tentativa de replicar a estratégia que, em 2018, levou Haddad ao segundo turno das eleições presidenciais.
Contexto político
Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro e figura como um dos principais nomes da direita para as próximas eleições. A indicação paterna ocorre em meio a articulações da oposição para unificar candidaturas. “O presidente Bolsonaro sabe que precisa de um nome forte para manter o legado conservador”, afirmou um aliado próximo, sob condição de anonimato.
Em 2018, Lula escreveu: “Quero pedir a todos que votem em Fernando Haddad como se estivessem votando em mim”. Agora, Bolsonaro utiliza frase similar: “Peço que apoiem Flávio como se fosse a minha própria candidatura”. A semelhança reforça a percepção de que a estratégia de transferência de capital político é deliberada.
Repercussão
A oposição criticou a manobra, classificando-a como “cópia descarada” e “falta de originalidade”. Já apoiadores de Bolsonaro veem a carta como um ato de liderança e planejamento. Especialistas em ciência política apontam que, embora a estratégia seja comum em cenários de inelegibilidade, a replicação explícita do modelo lulista pode ter efeitos imprevisíveis nas urnas.
Até o momento, nem Flávio Bolsonaro nem a assessoria de Lula comentaram oficialmente o episódio.



