O partido Mobiliza anunciou nesta terça-feira (4) que ficará neutro na disputa presidencial de 2026, descartando qualquer possibilidade de lançar candidatura própria. A decisão foi tomada em reunião da executiva nacional, realizada em Brasília, e põe fim aos rumores de que o partido poderia apoiar o ex-deputado Cabo Daciolo, que buscava a legenda para concorrer ao Palácio do Planalto.
Decisão da executiva e posicionamento oficial
Em nota oficial, a sigla afirmou que a neutralidade visa preservar a autonomia dos diretórios estaduais e municipais, que poderão apoiar candidatos de outros partidos conforme suas realidades locais. O presidente nacional do Mobiliza, Carlos Guimarães, destacou que a medida fortalece o partido nas eleições proporcionais e permite maior flexibilidade nas alianças regionais.
“A neutralidade no plano nacional não significa omissão. Pelo contrário, é uma estratégia para garantir que o Mobiliza tenha presença forte nos estados e municípios, sem amarras com candidaturas presidenciais que possam limitar nosso crescimento”, afirmou Guimarães, em coletiva de imprensa.
Negociações com Cabo Daciolo e outros pré-candidatos
Nos últimos meses, o Mobiliza havia sido procurado por Cabo Daciolo, conhecido por sua atuação parlamentar e por ter surpreendido nas eleições de 2018, quando ficou em quarto lugar na disputa presidencial pelo então Patriota. Daciolo tentava viabilizar sua candidatura pelo partido, mas a direção nacional decidiu não acolher o pedido.
Além de Daciolo, outros nomes chegaram a ser cogitados, como o empresário Pablo Marçal e o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. No entanto, a executiva entendeu que uma candidatura própria poderia fragmentar o partido e desviar o foco das eleições legislativas e estaduais.
Impacto nas alianças estaduais e municipais
Com a neutralidade, os diretórios estaduais do Mobiliza terão liberdade para apoiar candidatos de diferentes espectros políticos. Em estados como São Paulo e Minas Gerais, onde o partido tem capilaridade, espera-se que haja alianças com candidatos de centro-direita, enquanto no Nordeste pode haver aproximação com legendas de centro-esquerda.
O cientista político André César, da consultoria Análise Política, avalia que a decisão é pragmática: “O Mobiliza não tem densidade eleitoral para lançar um nome competitivo ao Planalto. A neutralidade permite ao partido negociar cargos e espaços em chapas majoritárias estaduais, maximizando seu poder de barganha.”
Reações e próximos passos
Cabo Daciolo, por meio de suas redes sociais, lamentou a decisão e afirmou que buscará outra legenda para viabilizar sua candidatura. “O povo brasileiro merece uma opção que represente seus valores e a defesa da soberania nacional. Não desistirei”, escreveu.
O Mobiliza, por sua vez, anunciou que realizará convenções estaduais a partir de setembro para definir os apoios regionais. A sigla também deve lançar candidatos próprios para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas, com foco em renovação política e pautas como segurança pública e reforma administrativa.
Com a decisão, o partido se junta a outras legendas menores que optaram pela neutralidade, como o Novo e o Partido da Mulher Brasileira (PMB), que buscam se posicionar como alternativas independentes no cenário político nacional.



