O presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, afirmou nesta quinta-feira que o ciclo atual de investimentos em infraestrutura no Brasil é virtuoso, mas que a União precisa aumentar sua participação para sustentar o crescimento. Segundo ele, os investimentos públicos e privados no setor somaram apenas 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, muito abaixo dos 4% considerados ideais pela entidade.
O ciclo virtuoso da infraestrutura
“O ciclo é virtuoso, mas a União precisa investir mais”, disse Tadini durante evento online promovido pela Abdib. Ele destacou que as parcerias público-privadas (PPPs) e concessões têm avançado, mas o governo federal ainda responde por uma parcela pequena dos aportes. “Sem a participação mais ativa da União, especialmente em projetos estruturantes, o país corre o risco de perder o ritmo”, completou.
Dados da Abdib mostram que, em 2025, os investimentos totais em infraestrutura no Brasil alcançaram R$ 180 bilhões, dos quais R$ 70 bilhões vieram de empresas estatais, R$ 60 bilhões do setor privado e apenas R$ 50 bilhões do orçamento federal. “A União precisa pelo menos dobrar sua parcela para que possamos atingir a meta de 4% do PIB até 2030”, afirmou Tadini.
O papel da União
Para o presidente da Abdib, a União tem um papel crucial em setores como rodovias, portos e ferrovias, onde os investimentos privados dependem de garantias e contrapartidas públicas. “O governo federal precisa ampliar os recursos do Orçamento Geral da União (OGU) e também acelerar a liberação de licenças ambientais e desapropriações”, explicou.
Ele citou como exemplo o programa de concessões rodoviárias, que nos últimos anos atraiu investimentos privados de R$ 40 bilhões, mas que ainda enfrenta gargalos financeiros devido à falta de aportes da União em trechos não rentáveis. “Temos um ciclo virtuoso de parcerias, mas se o governo não colocar dinheiro, as tarifas ficam inviáveis para o usuário”, ponderou.
Perspectivas para 2026
Para o próximo ano, a Abdib projeta um crescimento de 10% nos investimentos em infraestrutura, impulsionado por novos leilões e pela retomada de obras paralisadas. No entanto, Tadini alerta que esse crescimento pode ser insuficiente sem um aumento efetivo dos gastos da União. “Se a União não investir mais, o setor privado vai diminuir seu ritmo”, concluiu.



